PCP lamenta que ecopontos florestais de Viseu estejam “às moscas”

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O PCP lamentou hoje que os ecopontos florestais criados no concelho de Viseu para receberem resíduos resultantes da limpeza de matos e florestas estejam “às moscas” e se tenham transformado em “ilegais lixeiras a céu aberto”.

“O que prometia ser uma medida inovadora e ecologicamente avançada transformou-se num grave atentado ambiental”, refere o PCP em comunicado, mostrando fotografias de móveis partidos, eletrodomésticos, chapas de alumínio, telhas e sacos plásticos, entre outros objetos que foram depositados naqueles locais.

Segundo o PCP, “tirando o material vegetal resultante da limpeza do espaço onde foram implantados os ecopontos, suspeita-se que pouco ou nenhum outro material receberam”.

O partido considera que a não adesão ao projeto está relacionada com o facto de os agricultores e os produtores florestais não terem “recursos para transportarem até lá os restos das podas e limpezas de terrenos e florestas, mesmo que o presidente da câmara os queira obrigar”.

Contactada pela agência Lusa, a autarquia optou por não comentar as críticas do PCP.

Em julho do ano passado, o concelho de Viseu passou a dispor de dois ecopontos florestais, em Bodiosa e Cepões, onde poderiam ser depositados resíduos resultantes da limpeza de matos e florestas, para posteriormente serem utilizados numa central de biomassa.

“A nossa ideia é a de que possamos cobrir o concelho todo com seis ecopontos”, que representam um investimento de 27 mil euros cada, disse na altura o presidente da Câmara, Almeida Henriques (PSD).

No entender do PCP, os ecopontos encontram-se nesta situação porque “não foram ouvidos os diretamente interessados (agricultores/produtores florestais) e apenas se pensou nos benefícios financeiros da central de biomassa”.

“Sabendo-se dos milionários subsídios que a central de biomassa está a receber do Estado e da União Europeia, é sua obrigação organizar a recolha dos sobrantes até os ecopontos e daí para a central, sem custos para os produtores florestais e agricultores”, defende.

Neste âmbito, considera “impreterível que os serviços do Ministério do Ambiente fiscalizem estes ecopontos, cuja utilização atual não foi licenciada”.