Movimento apela a Coimbra e Leiria para defenderem juntas um aeroporto na região

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O movimento Somos Coimbra (SC) apelou hoje às comunidades intermunicipais (CIM) das regiões de Coimbra e de Leiria para, em conjunto, estudarem e defenderem a criação de um aeroporto na região Centro.

“Propomos que seja desenvolvido um diálogo intermunicipal [com a CIM de Leiria] para defesa comum de um aeroporto” no Centro do país, “procurando um consenso em torno de uma localização que sirva simultaneamente Coimbra, Leiria e toda a região Centro, unindo em vez de desunir”, disse hoje, em Coimbra, durante uma conferência de imprensa, José Manuel Silva, um dos dois vereadores da Câmara desta cidade eleitos pelo SC.

A futura infraestrutura aeroportuária poderá resultar da abertura ao tráfego civil da Base Aérea 5 (BA5), em Monte Real, concelho de Leiria, ou da sua construção de raiz numa zona “a sul de Coimbra e a norte de Leiria”, em função dos estudos, adiantou.

O SC defende “um aeroporto na região Centro, mas com a realização de uma competente e rigorosa avaliação prévia da sua viabilidade efetiva, que comprove a relação custo-benefício da sua construção e o real interesse e disponibilidade de companhias aéreas para a sua utilização e rentabilização mínimas”, sintetizou José Manuel Silva.

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), recentemente, insistiu na hipótese de Monte Real e considerou a proposta do presidente da Câmara de Coimbra, o também socialista Manuel Machado, que agora defende a construção de um aeroporto de raiz, entre as duas cidades, “completamente esdrúxula e irrealista”, recordou José Manuel Silva.

Manuel Machado avançou na defesa de um aeroporto novo, depois de ter concluído que a transformação do aeródromo municipal de Cernache, no concelho de Coimbra, em aeroporto, exigia avultados investimentos, e perante “a evidência” de que BA5 “não é alternativa”.

De acordo com o autarca de Coimbra, a nova pista “aponta para custos entre 30 e 50 milhões de euros” e, perante “este baixo valor”, José Manuel Silva, irónico, desafia Manuel Machado e o PS de Coimbra a “avançarem de imediato com a sua construção, sem mais delongas”.

“Se verdadeiramente consideram que se pode construir um aeroporto de raiz por 30-50 milhões de euros! Façam-no, metam mãos à obra! Se não o fizerem é porque reconhecerão que, mais uma vez, estão a mentir despudorada”, enfatizou o vereador do SC.

“Coimbra está cansada de tantas mentiras, de demagogia, de quererem enganar permanentemente as pessoas”, afirmou ainda o antigo bastonário da Ordem dos Médicos, sustentando que “Coimbra precisa de verdade, trabalho, ambição e competência na Câmara”.

Mas, entretanto, o movimento SC propõe a imediata “transformação do aeródromo Bissaya Barreto num aeródromo de qualidade internacional”, para que possa “receber pequenos jatos e os Dornier 228/200, que operam nas linhas internas” (agora “temporariamente suspensas), e que aterram em Viseu.

José Manuel Silva anunciou, por outro lado, que o SC vai apresentar na próxima Assembleia Municipal de Coimbra “uma moção contra o aeroporto do Montijo, um inaceitável crime ambiental, que colide com aquela que devia ser a prioridade do Governo para um aeroporto alternante do aeroporto de Lisboa, o aeroporto da região Centro”.

Por outro lado, admitiu, ao encerrar a BA6, em Montijo, tornar-se-á “mais difícil” a utilização da Base de Monte Real para o tráfego civil.