Câmara de Viseu pede empréstimo de 8,4 ME para 20 obras em dois anos

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A Câmara Municipal de Viseu vai recorrer a um empréstimo a médio e longo prazo de 8,4 milhões de euros (ME) para concretizar nos próximos dois anos 20 obras no concelho, anunciou hoje o presidente após uma reunião de executivo.

“Aprovámos uma contração de um financiamento a médio, longo, prazo de 8,4 milhões de euros que tem como objetivo financiar 20 obras estruturantes que irão avançar em 2020 e que serão concretizadas entre 2020 e 2021”, anunciou António Almeida Henriques.

Em conferência de imprensa após a primeira reunião, deste ano, do executivo municipal, o autarca explicou que as obras em causa são “no domínio das acessibilidades, água e saneamento, reabilitação de bairros habitacionais, do desporto e, ao mesmo tempo, modernização administrativa”, neste caso, naquilo que diz respeito ao arquivo distrital.

“Mais de 25% deste valor será aplicado em águas e saneamento, porque não há aberturas de candidaturas no âmbito dos fundos comunitários (…). Portanto, uma forte fatia deste empréstimo visa resolver problemas de água e saneamento e a outra forte fatia dirige-se ao programa ‘eu gosto do meu bairro’, que é ambicioso e que, neste momento, tem três obras em fase de avanço e que serão financiadas desta forma”, explicou.

Da lista de obras apresentada por Almeida Henriques estão também a requalificação e construção de duas rotundas de acesso à cidade, requalificação de estradas municipais, “nomeadamente na zona norte do concelho”, assim como os acessos ao Estádio Municipal do Fontelo, dentro da própria mata e a relva do campo de futebol e a sua pista tartan”.

Segundo Almeida Henriques, este empréstimo “só é possível, porque o município de Viseu reduziu, nos últimos seis anos, o seu endividamento de 22,2 ME para 10,4 ME, ou seja, houve uma redução de quase 11 ME” no endividamento e “também porque a Câmara não chegou a usar um empréstimo de 10 ME que foi aprovado há três anos”.

“Tínhamos duas opções: ou trazíamos à reunião de Câmara uma prorrogação desse empréstimo de 10 ME ou, então, – e porque achámos que do ponto de vista da transparência fazia mais sentido – deixava-se cair esse empréstimo e solicitava-se um novo. Este empréstimo só é possível porque estamos com uma capacidade de endividamento de 17 ME”, justificou.

Um empréstimo que a oposição socialista – composta por três vereadores, contra os seis do executivo social-democrata – “votou contra, porque o endividamento bancário passa, em números redondos, dos atuais 11 ME para 20 ME”, alertou o vereador Cristóvão Francisco.

“Não somos contra a execução das obras, de todo, somos é contra a forma como está previsto o seu financiamento. No empréstimo está previsto um prazo de pagamento a 20 anos, mas tem um período de carência de dois anos, ou seja, só em 2022 ou 2023 é que, eventualmente, se começará a pagar o empréstimo. É como dizer-se: quem cá ficar que o pague”, considerou.

Em declarações aos jornalistas, após a conferência de imprensa do autarca, o vereador Cristóvão Francisco entendeu que “as prioridades deste executivo não são as infraestruturas, porque havia um conjunto de outros investimentos que deviam ser feitos, mas ficam para trás por festas e festinhas, como é usual agora dizer-se”.

“O dinheiro não é elástico, ele não estica, ou seja, quando se investe tanto em marketing territorial e noutra componente lúdica, obviamente que depois o dinheiro faltará para infraestruturas básicas no concelho”, defendeu.