Luís Lopes (PS) quer mostrar que há futuro em Sernancelhe e no interior

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O candidato do PS à Câmara de Sernancelhe, Luís Lopes, de 23 anos, quer ser exemplo para outros jovens, mostrar que há futuro no interior e, para isso, propõe-se combater os baixos salários e atrair novas empresas.

“Apesar de salarialmente poder compensar, e é uma desvantagem que queremos acabar aqui, em termos de qualidade de vida, de habitação, a diferença é abissal, é como do dia para a noite, e o facto de alguns de nós se mobilizarem para o interior mostra isso”, sustenta.

“Nesse aspeto”, Luís Lopes, quer “ser um exemplo de que o interior tem muitas e muitas vantagens e acabar com esta descriminação negativa que existe em relação ao interior”, afirma.

O candidato do Partido Socialista (PS) à Câmara Municipal de Sernancelhe nasceu em Viseu e tem família nos concelhos vizinhos ao qual se candidata, refere, sublinhando que “conhece bem a realidade daquele município”.

“Sou beirão e gosto do interior, onde sempre quis voltar e fazer mais por a região, que tem cada vez menos pessoas e muita dificuldade em fixar investimento e cidadãos. E é aí que quero intervir com uma visão mais holística, com alguma experiência fora do país, o que pode trazer vantagens nesta candidatura”, afirma Luís Lopes, que já residiu em Lisboa (onde estudou) e em Bruxelas (trabalhou no Parlamento Europeu).

Em seu entender, “às vezes, os habitantes destas regiões já envelhecidas têm alguma dificuldade em perceber o que pretendem os jovens e os motivos principais para se fixarem numa localidade”.

“A minha ideia é atrair empresas de futuro que queiram quadros qualificados, isso é essencial e entre essas grandes estratégias é a transformação digital e a transição climática”, prometeu e, a título de exemplo, aponta uma empresa que produz hidrogénio verde e que se instalou em Évora. “É dessas [empresas] que Sernancelhe precisa para atrair pessoas e dinamizar o concelho”, sustenta.

Luís Lopes quer lutar também contra os baixos rendimentos do interior, porque “sem pessoas e sem emprego não se consegue fazer nada” e “o rendimento médio mensal de Sernancelhe está significativamente abaixo da média nacional e isso é algo que tem de mudar e será também um dos objetivos” da sua candidatura.

O candidato considera “muito importante ouvir as pessoas e os problemas existentes” para depois arranjar soluções que podem passar pela criação de “uma rede entre as autarquias vizinhas, porque não pode haver disparidade, nem invejas na atração de investimento entre os concelhos”.

“O interior já é pequeno e, por si só, como região, tem muita dificuldade em atrair investimento, se não colaborarmos entre concelhos essa atração fica muito mais complicada”, acrescentou Luís Lopes que quer atrair os seus pares para “o interior que tenha oportunidades”.

O candidato sublinha que tem “muitos colegas” a viver em Lisboa e Porto e, como ele, querem regressar ao interior, “não só pela qualidade de vida, mas também para constituir família, porque se em Lisboa ter um apartamento é difícil, ter uma moradia é quase impossível para alguém da classe média, nem que seja da classe média alta”.

“O interior oferece-nos isso, habitação mais acessível e, acima de tudo, oferece a capacidade de construir família, sendo que os serviços são mais limitados e, por isso, o nosso objetivo também passa por fomentar os serviços e a rede de infraestruturas fundamentais”, salienta.

Luís Lopes concorre às eleições autárquicas, marcadas para 26 de setembro, com o atual presidente da Câmara, Carlos Silva Santiago (PSD), que nas últimas eleições conquistou 71,92% dos votos, quatro mandatos, enquanto o PS obteve um, com 18,15% dos votos. Gonçalo Santos da CDU também está na corrida à liderança do município de Sernancelhe.