Autarca de Coimbra preocupado com “omissões” do Plano de Recuperação e Resiliência

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O presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, disse ontem que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apresentado pelo Governo, que está em discussão pública, contém “omissões e preocupações” relativamente ao município.

“Estão identificados investimentos há muito esperados para o concelho de Coimbra, com impacto em toda a região Centro, sobre os quais o documento nada diz, pese embora muitos dos investimentos previstos na Dimensão Resiliência serem transversais a todas as regiões, como o alargamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados e da Rede Nacional de Cuidados Paliativos”, disse hoje o autarca, na sessão de Câmara.

Referindo que está previsto um investimento total de 1,38 mil milhões de euros para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), Manuel Machado frisou que “ficaria bem mais satisfeito e sossegado se o PRR identificasse como investimentos prioritários a nova maternidade de Coimbra e a requalificação do Hospital dos Covões”.

O presidente da autarquia salientou ainda, como nota positiva, a criação de uma nova unidade forense no Hospital Sobral Cid, integrado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no âmbito da reforma da saúde mental.

No setor social, Manuel Machado revelou que estão previstos investimentos de 250 milhões de euros para eliminar bolsas de pobreza nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, mas que “não está previsto qualquer investimento nesta área para outras zonas do país”.

No capítulo das infraestruturas, o autarca lamenta que o PRR não contemple a requalificação do IP3 (Coimbra-Viseu) como autoestrada (sendo referido apenas a ligação dos concelhos a sul) e do IC2, nos troços Condeixa-Cruz de Morouços e Coimbra Norte, incluindo uma nova ponte sobre o Rio Mondego, bem como a ligação da A13 (nó de Ceira) ao IP3.

Entre outras obras, o presidente do município de Coimbra destaca ainda a omissão relativamente à ligação da circular externa de Coimbra ao Hospital Pediátrico.

Manuel Machado realça ainda que, no plano cultural, o PRR não contempla o investimento no novo Centro de Arte Contemporânea de Coimbra e a Casa da Canção e do Fado de Coimbra, “um novo e grande investimento, com a dignidade e visibilidade que esta canção merece”.

O autarca considera ainda que é preciso clarificar que os investimentos na área da Transição Climática para apoio à aquisição de frotas de transportes públicos limpos e a instalação dos respetivos postos de carregamento/abastecimento não “serão apenas direcionados para as áreas metropolitanas”.

“Coimbra tem um operador municipal de transportes públicos, assegurando através do orçamento municipal o seu custo social num montante anual superior a nove milhões de euros”, refere Manuel Machado, salientando que, nos últimos quatro anos, “tem sido feito um esforço financeiro gigante com vista a renovar a frota dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra através de viaturas 100% elétricas, recorrendo a financiamento do POSEUR”.

O Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

Depois de um rascunho apresentado à Comissão Europeia em outubro passado, e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou na semana passada em consulta pública a versão preliminar e resumida do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).