25 de Nov | Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres | 17h30

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O Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres surgiu para não
esquecer o assassinato das irmãs Mirabal – las Mariposas – vítimas da ditadura de
Trujillo (República Dominicana). Foi decretado em 1999 pela ONU.
São as mulheres que representam a larga maioria das vítimas de violência doméstica,
sexual e das mortes em contexto de violência na intimidade. Se em 2018 foram mortas
28 mulheres, em 2019 os números não melhoraram. São as mulheres que estão mais
sujeitas a violência em contexto de catástrofes e guerra. São as mulheres a moeda de
troca, o objeto de recompensa ou vingança.
Somos objetificadas e sexualizadas constantemente por uma sociedade de consumo que
nos explora para agradar, entreter e vender, contribuindo para uma ideia massificada de
apropriação da mulher e o do seu corpo.
Na escola, as mulheres são constantemente confrontadas com convicções de desvalorização em áreas científicas e de liderança, são mais sujeitas a assédio, e tantas vezes
desmotivadas pelas próprias instituições de ensino, principalmente tratando-se de
minorias. Precisamos de uma educação que valorize as mulheres, que nos conte também
a nossa história, que nos represente, seja promotora do empoderamento feminino e
desincentive a masculinidade tóxica. Que ensine a igualdade.
Precisamos de leis que valorizem e protejam as mulheres em risco e, toda a gente que as
executa ou julga consciente do seu papel. Na saúde, continuamos a ver os nossos direitos
subjugados a um entender científico que não nos respeita nem no momento em que
damos vida à produção e continuamos a pagar para aceder produtos básicos de saúde. É
impossível a defesa de uma igualdade entre mulheres e homens, quando é cobrado ao
sexo que, devido a ideias preconcebidas, já se encontra tendencialmente em situações
financeiras mais vulneráveis, uma taxa sobre o que lhe é intrínseco e natural! 1 em cada
5 mulheres é pobre. 1 em cada 3 trabalha em part-time. Temos mais empregos precários,
com baixos salários. Recebemos em média menos 16.7% de rendimento mensal base e a
média sobe quando falamos de desigualdades nos prémios e comissões. Alcançamos
mais dificilmente cargos de poder, sofremos maior número de assédio moral e sexual no
período laboral, somos expostas a maior desemprego, dificuldades de contratação e
posições com salários mais baixos, com consequência de pobreza e dependência financeira mais provável.
Somos as que, tendencialmente, cuidamos das pessoas próximas com necessidades de
cuidados permanentes, abdicando muitas vezes de um plano pessoal lucrativo por um
emprego que ainda não é valorizado como tal. E quando não somos cuidadoras informais, continuamos a trabalhar em tarefas não remuneradas em média mais 1h45m.
Enfrentaremos sempre a violência baseada no género e justificada em crenças machistas
e preconceituosas sobre ser mulher e qual o seu papel.

 

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