Regresso a uma “nova” normalidade

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As famílias estão a viver uma novas realidade. O teletrabalho e o ensino à distância fazem, agora, parte do nosso quotidiano.

A participação dos pais nas atividades dos filhos é frequente e de salutar. Esta participação é feita a todos os níveis quer seja escolar, social, desportiva ou lúdica. Para isso devem tanto os pais como os filhos sentirem-se agradados com a presença de ambos e não serem motivos de «stress». O confinamento veio juntar todas estas atividades no lar.

No regresso, possível, à normalidade devem os progenitores ter sempre presente que a criança cresce e desenvolve-se à imagem do contexto em que está inserida e de acordo com os valores que a regem. Neste sentido, os modelos que observam a partir de casa penetram mais fundo no seu comportamento, do que qualquer exercício de retórica que estes possam tentar sublinhar.

No processo de transmissão e construção de um quadro de valores desportivos, mas acima de tudo sociais, os pais, enquanto primeiros e principais responsáveis pela educação dos seus filhos, revelam-se autênticos guias, que através do seu estímulo, mas também do seu exemplo, permitem e exponenciam a capacidade dos seus filhos assimilarem e compreenderem os valores inerentes à sua prática desportiva. Da mesma forma que um comportamento antagónico, socialmente inadequado, reforça nos seus filhos a assunção destes como atitudes normais e, portanto reproduzíveis dentro do fenómeno desportivo.

Este pode ser o momento certo para promover políticas distritais de conjugação de esforços e partilha de espaços, onde as escolas, os clubes/associações e as autarquias formem um triângulo em que nenhuma das arestas pode renunciar às suas responsabilidades. Devem unir-se e criar sinergias. Pode ser o momento certo ensinarmos as crianças e os jovens a gostarem de desporto, das suas origens, em vez de os ensinarmos a gostarem apenas de ganhar.

As crianças apreendem com maior frequência aquilo que vivenciam do que aquilo que lhes é dito. Se forem constantemente confrontadas com maus exemplos, vão acabar por tomá-los como bons, pois é a realidade em que se encontram.

Os pais devem transmitir aos filhos que estes têm de dar o melhor de si mesmos para superar os obstáculos e não esperar que o adversário fraqueje ou que ocorra uma influência externa. O objetivo pode ser vencer, mas todos temos de ser melhores, de evoluir diariamente.

 

Vítor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética Desportiva