Escriba Nº43 – Entrevista ao cantor viseense Henrique Matos

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Henrique Matos, músico viseense, peregrina pelos caminhos do sonho e da nação. Assume-se patriota musical e acérrimo defensor da cultura popular portuguesa, o que se confirma no título do seu próximo disco “Paixões e Tradições”, unindo, numa fraternidade de coerências, o sentir à palavra. No 43º número do Escriba, o cantor afinou a voz para uma entrevista.

FP: Henrique, agradeço, em nome do Notícias de Viseu, a entrevista que cede à rábula Escriba. Falemos da sua carreira. Em que circunstâncias da vida descobriu a vocação musical?

HM: Comecei por participar em festivais regionais com canções da minha autoria. Depois de vencer um desses concursos na minha terra, Farminhão, representei Viseu num concurso nacional, em Portimão, por volta de 1999. Fiquei em 3ºlugar e com o título de melhor letra. Foi nesse auditório cheio que compreendi que podia fazer as pessoas felizes com a minha música.

FP: Como descreveria, então, os primeiros anos da sua carreira?

HM: Como um sonhador. No início sonhava com multidões, mas nunca imaginei estar onde estou actualmente, já com 16 CDS e com algum reconhecimento nacional e internacional, junto das comunidades imigrantes. O meu começo foi humilde, mas nem por isso me inibi de ambicionar muito mais, tanto a nível artístico como pessoal.

FP: Que artistas influenciaram a sua estética musical? No fundo, as grandes referências.

HM: Sempre gostei de ouvir cantores da música popular portuguesa como Roberto Leal, Carlos Paião, Cândida Branca-Flor, José Cid. Ainda assim, gosto muito de artistas que não têm necessariamente a ver com o meu registo, desde Roberto Carlos, Pink Floyd, ABBA, Demi Roussos.

FP: As pessoas que escutam os seus temas apercebem-se de uma certa elasticidade temática. Tanto invoca a sátira política e social, como fala de costumes e de experiências pessoais. Reconhece esta variedade ou tem algum tipo de preferência?

HM: Eu componho letras e canções ao vento da inspiração. De facto, procuro variar as minhas mensagens. Faço também temas de tributo, como aquele que fiz à minha falecida mãe com a canção “Mãe”. Ainda assim, o que mais gosto é explorar as valências que Portugal tem. Eu amo Portugal, como diz o meu tema. O próximo projecto da minha carreira chama-se “Paixões e Tradições” onde descrevo com muita alegria e orgulho as coisas fantásticas que o nosso país tem. Sou um patriota de gema.

FP: Somos dois! Saindo agora da questão temática, gostava de perguntar que tipo de sensações assolam o seu espírito quando pisa um palco?

HM: Quando estou fora do palco, sou o Henrique Matos homem, pai, marido, filho, amigo. No palco transcendo-me e assumo a minha identidade artística. Sinto uma enorme alegria e gratidão ao ver que as pessoas desfrutam da minha arte. Devido à situação que passamos, estou com uma verdadeira fome de palco. Apesar de não ter palco neste momento, tenho conseguido criar tempo de qualidade com família e amigos.

FP: Conseguiria escolher um só artista para dueto e um palco de sonho?

HM: Roberto Carlos, num palco que ele escolhesse no Brasil.

FP: Pode partilhar com os leitores do Notícias de Viseu o nome de um músico viseense que acha que merece reconhecimento?

HM: Sim, temos Celso Coelho, um cantor romântico da zona de Besteiros. É esse nome que pretendo divulgar.

FP: De que forma é que Viseu, a sua terra-mãe, tem acolhido a sua arte ao longo dos anos?

HM: Tive uma fase muito bonita em que o Município de Viseu me apoiou com todo o carinho. Era raro o ano em que não actuasse na Feira de São Mateus, reconhecendo que tenho muitas saudades do conceito da feira mais tradicional, quando o responsável de espectáculos era o Dr. Jorge Carvalho. Desde há 4 anos que tenho sido posto de lado devido a posturas vingativas de pessoas influentes da nossa cidade. Tenho orgulho em ser de Viseu, nomeadamente da zona de Farminhão, onde nasci, e isso não me será retirado seja por quem for.

FP: Refere-se a alguém especificamente?

HM: Sim, estou a falar do actual Presidente da Câmara. Convidou-me para actuar na Feira de São Mateus no seu primeiro ano enquanto presidente, elogiando-se de forma presencial no término do espectáculo. Prometeu replicar o convite para o ano seguinte, mas não aconteceu. Foi desrespeitoso quando o confrontámos pessoalmente, dirigindo-se de modos indelicados à minha esposa. Contudo, isto está esquecido. Não é esse episódio que suja a bonita relação que tenho com a minha cidade.

FP: Para terminarmos, Henrique. Que mensagem deseja enviar para os seus admiradores?

HM: Uma palavra de agradecimento e carinho para todos os que acompanharam o meu percurso até hoje. Fiquem atentos ao lançamento do meu futuro disco “Paixões e Tradições”. Estendo o meu agradecimento a ti, Francisco, pela entrevista e também ao jornal Notícias de Viseu. Obrigado.

Francisco Paixão