Covid-19: Movimento de pessoas junto ao Hospital de São João inferior ao habitual

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 O movimento de pessoas era hoje bastante inferior ao habitual no exterior do Hospital de S. João, no Porto, onde está a ser montado um hospital campanha para fazer face ao eventual aumento de casos de infeção pelo novo coronavírus.

O hospital de campanha do INEM começou a ser montado na noite de sábado e deverá ficar concluído esta semana, mas só será ativado quando a procura se justificar, disse à Lusa fonte do São João, onde se encontra internado o maior número de doentes infetados pelo Covid-19.

“É uma medida prevista no nosso plano de contingência, que está a ser antecipada e que será utilizada para a avaliação inicial dos doentes e decisão clínica”, acrescentou a mesma fonte.

A região Norte é a que regista, até hoje, o maior número de casos de infeção pelo coronavírus, encontrando-se a maior parte dos doentes internados no Hospital de São João.

Este facto levou a que as autoridades de saúde, entre outras medidas, suspendessem as visitas hospitalares, o que deixou “muito preocupada” Maria Emília, que se deslocou de Cinfães para visitar a sua mãe internada.

“Tenho a minha mãe aqui internada e não sei como ela está, acho mal que não a possa ver. Queria ir só dois segundos, mas não me deixam ir. Sei que é por causa de um vírus que anda aí, não sei mais nada”, lamentou em declarações à Lusa.

Maria Emília disse que vai regressar a Cinfães, mas voltará na terça-feira na esperança de poder ver a sua mãe.

“Têm de me deixar ir vê-la, senão ainda lhe dá um ataque. Ela é muito cismada e sofre do coração, se não vir ninguém, não sei como vai ser”, lamentou.

Disse ainda não recear o vírus, e que está apenas preocupada por ter a sua mãe internada.

Ana Patrícia disse à Lusa que se deslocou ao São João com o seu sobrinho “porque no curso dele, suspeitaram que um aluno de 16 anos tinha coronavírus”.

“Hoje foi para o curso, que frequenta há dois meses, e teve os sintomas, tem dificuldades de respiração e dói-lhe muito a cabeça. Entrou agora mesmo”, disse, referindo à Lusa que o jovem foi encaminhado pela Linha de Saúde 24.

Por precaução, foram suspensas “todas as atividades de formação, nomeadamente aulas, estágios ou visitas de estudo” com a participação de profissionais daquele centro hospitalar ou realizadas nas suas instalações.

Por esse motivo as aulas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estão também suspensas.

Em declarações hoje aos jornalistas, o subdiretor da FMUP explicou que se trata de uma decisão que visa “limitar os riscos aos clínicos, que também são docentes da Faculdade de Medicina, e também aos 1.600 alunos do curso de medicina que circulam dentro deste edifício”.

“A circulação dos alunos dentro deste edifício não é permitida, em acordo com a administração do Hospital de São João e com a ‘task-force’ da Universidade do Porto”, disse.

Salientou que “existe outro edifício atrás, o Centro Investigação Médica, onde a circulação continua a ser permitida. Não haverá aulas porque muitos dos docentes são também clínicos do hospital e por esse motivo estão suspensas”.

“O estudo na biblioteca e a restante atividade da faculdade, nomeadamente a investigação, não foram suspensos. Apenas a atividade letiva foi interrompida”, frisou, salientando que “o objetivo é manter o corpo clínico 100% disponível, porque é fundamental para conter a propagação desta epidemia”.

Para mitigar o problema da falta de aulas, a direção da FMUP está a ponderar medidas como a utilização do período de férias da Páscoa e prolongar o período letivo mais algumas semanas.

“Há várias possibilidades de recuperar desta situação, além de que estamos a preparar o ensino à distância, que permite aos alunos assistir às aulas em casa”, acrescentou.

O presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina do Porto, Nuno Ferreira, disse que os alunos compreendem e estão “solidários” com a situação que se vive no Hospital de São João.

“Compreendemos que, neste momento, temos de estar direcionados para aquilo que são as verdadeiras necessidades do país, que é a atividade assistencial e apoio às populações. Temos responsabilidades acrescidas, enquanto futuros médicos, de estarmos solidários com o que aqui se está a passar”, sustentou.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.800 mortos. Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram.

Portugal regista 30 casos confirmados de infeção, segundo o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado no domingo. Todos os infetados, 18 homens e 12 mulheres, estão hospitalizados. A DGS comunicou também que 447 pessoas estão sob vigilância por contactos com infetados.

Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino secundário e universitário no Norte, bem como duas escolas na Amadora e uma em Portimão.

Em Felgueiras e Lousada, foram encerrados ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas, além de todas as escolas. Os residentes naqueles dois concelhos do distrito do Porto foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

 

 

Lusa