Viseu e Sátão negoceiam com IP quanto vão pagar para terem melhor ligação rodoviária

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As Câmaras de Viseu e de Sátão estão a negociar com a Infraestruturas de Portugal o montante que terão de pagar no projeto de ligação rodoviária dos dois concelhos, disse hoje o presidente da capital de distrito, Almeida Henriques.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião de Câmara, Almeida Henriques referiu que o diálogo com a Infraestruturas de Portugal (IP) “tem sido profícuo” e que conduziu a um ponto em que “já existe um projeto” que prevê quer a requalificação da Estrada Nacional 229 entre Mundão e Sátão, quer a nova variante que ligará o parque empresarial do Mundão ao antigo Itinerário Principal 5, junto ao Caçador.

“Já sabemos que todo este projeto, na globalidade, custa 12,2 milhões de euros e que as Infraestruturas de Portugal assumirão também a responsabilidade das expropriações e do projeto elétrico”, explicou o autarca, acrescentando que “o único ponto de discórdia” é a comparticipação dos municípios nestas obras.

Almeida Henriques lembrou que o município de Viseu se disponibilizou a pagar um milhão de euros e o do Sátão 200 mil euros, mesmo não tendo essa obrigação, uma vez que se trata de uma obra nacional, que serve onze concelhos.

“As Infraestruturas de Portugal entendem que nós devemos ter uma comparticipação de 1,8 milhão de euros. Estamos a falar de uma diferença de 600 mil euros”, referiu.

O autarca social-democrata lembrou que só a partir do momento em que as autarquias assinarem o contrato com a IP é que esta poderá lançar o concurso.

“Entre lançamento de concurso, adjudicação, entrada em obra, demorará pelo menos dois anos. E depois a obra em si demorará outros dois anos”, afirmou, baseando-se nas informações dadas pela IP.

Almeida Henriques contou que chegou a fazer uma reunião com os onze presidentes de Câmara servidos pela EN229, “mas o único concelho que manifestou vontade de participar foi o do Sátão, todos os outros se fecharam em copas”.

No entanto, o antigo secretário de Estado acredita que IP e autarquias chegarão a um consenso: “Ou partir isto a meio ou o Governo encontrar uma solução de poder compensar a Câmara (de Viseu) com a aprovação de uma outra obra com fundos comunitários”.

“O presidente da Câmara está disponível, de mente aberta, para encontrar uma solução para, de uma vez por todas, deixarmos de andar a falar na ligação Viseu – Sátão”, frisou, lamentando que este assunto já se arraste há duas décadas.

Almeida Henriques lembrou que primeiro “fez-se um mau projeto, depois houve um segundo projeto que nunca avançou” e, posteriormente, “um contrato assinado com o Governo de Passos Coelho que nunca chegou a ir para o terreno porque este Governo fez tábua rasa do que lá estava”.