Um ciclo de cinema sobre “variações do saber”

Com o pretexto dos 40 anos do Politécnico de Viseu, o Cine Clube de Viseu dedica o mês de março a filmes que destacam o papel da educação e do conhecimento, em diferentes contextos geracionais e sociopolíticos, e que refletem alguns dos desafios que hoje se colocam à humanidade, como os efeitos dos meios de comunicação de massa e o racismo.

O Cineclube de Viseu respondeu afirmativamente ao desafio de ser uma entidade parceira das comemorações dos 40 Anos do Politécnico de Viseu, para as quais programou um ciclo a decorrer durante o mês de março. Com o título “Variações do Saber”, o ciclo integra quatro filmes que vão ser apresentados nas quintas-feiras, dias 12, 19 e 26 de março, no Auditório do Instituto Português da Juventude, e termina no dia 31, terça-feira, com “I Am Not Your Negro”, de Raoul Peck, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu do Politécnico de Viseu. A comunidade do Politécnico de Viseu (alunos, professores e outros funcionários) tem entrada gratuita neste ciclo.

Os filmes incluídos na programação de “Variações do Saber” abordam temáticas relacionadas com a educação e o conhecimento, em diferentes contextos geracionais e sociopolíticos, e os desafios que hoje se colocam à humanidade. Desde o retrato de uma escola primária francesa, documentada em “Ser e Ter”, de Nicolas Philibert, a uma Roménia desesperançada em “O Exame”, de Cristian Mungiu, onde se assiste aos esforços de um pai para permitir que a filha vá estudar para o estrangeiro. O ciclo, que inclui o clássico “Fahrenheit 451, Grau de Destruição”, de François Truffaut, termina com um filme de Raoul Peck que é um contributo para pensar, discutir e compreender o racismo na América: “I Am Not Your Negro”.

A entrada é livre para alunos, professores e funcionários do Politécnico de Viseu e jovens até aos 18 anos. Outras condições de acesso: 1,5€ para associados; 2,5€ para outros estudantes do ensino superior, amigos Teatro Viriato e associados; 4€ para o público em geral.

Reservas e informações adicionais em geral@cineclubeviseu.pt

SOBRE OS FILMES

 

SER E TER

de Nicolas Philibert, França, 2002, 103’

É uma pérola este documentário, realizado por Nicolas Philibert. Numa escola primária no coração da região de Auvergne, Georges Lopez é professor de uma turma que agrupa crianças entre os quatro e os dez anos de idade. Georges ensina-lhes as matérias correspondentes a cada idade, desde pintar, aprender as letras do alfabeto ou até mesmo fazerem crepes. A ano e meio da reforma, Georges dá uma lição de vida aos seus alunos – uma vida que, como todas as coisas, tem bons e maus momentos.

O EXAME

de Cristian Mungiu, Roménia, 2016, 128’

A história de um médico de uma cidade do interior, muito respeitado, que se vê forçado a encontrar um modo de conseguir a aprovação da filha num exame decisivo. Uma parábola sobre o percurso escolar, com os anseios, dúvidas, sacrifícios que uma prova suscita. “Um filme capaz de nos apresentar a banalidade do dia a dia, nela revelando os sinais que envolvem grandes clivagens geracionais, éticas e políticas” João Lopes.

FAHRENHEIT 451 – GRAU DE DESTRUIÇÃO

de François Truffaut, Reino Unido, 1966, 112’

Num futuro hipotético, os livros e toda a forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, para suprimir o pensamento próprio e silenciar ideias. Adaptado do romance de Ray Bradbury (publicado em 1953, em pleno Macarthismo), 451º Fahrenheit refere-se à temperatura a que arde um livro. O protagonista é um bombeiro, parte de uma brigada de destruição, até que uma mulher o convence a desobedecer à lei e tornar-se um leitor.

A escolha desta distopia para o ciclo de sessões deste programa não pode deixar de ser vista à luz das zonas mais sombrias do nosso inquietante presente.

I AM NOT YOUR NEGRO

de Raoul Peck, EUA, 2016, 93’

A história do negro na América é a história da América. Não é uma história bonita.” Palavras de James Baldwin. Foi isso que o escritor quis contar em “Remember This House”, o livro que começou a escrever em 1979 – já numa fase de “rescaldo” do movimento pelos direitos civis nos EUA, marcada pelo assassinato de três dos seus amigos mais próximos: Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King –, e que não chegou a terminar até à sua morte, em 1987.

Com narração de Samuel L. Jackson, este documentário extraordinário dá voz às palavras de Baldwin. “I Am Not Your Negro” é uma reflexão sobre as lutas históricas pela igualdade de direitos e a forma como o tema se mantém atual e pertinente no contexto do século XXI. Contra a intolerância, o privilégio e a desigualdade, sem vitimização, nem floreados.

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