Sobre-endividamento das famílias portuguesas

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Até 31 de dezembro de 2019 recebemos mais de 29 mil pedidos de ajuda de famílias em dificuldades financeiras.

 

Até agora, o desemprego era a causa principal de sobre-endividamento, seguido por deterioração das condições laborais. Em 2019, a situação inverteu-se, com as condições de trabalho a levarem mais portugueses para o sobre-endividamento. Atraso no pagamento dos salários, perda de rendimentos, redução de horas extraordinárias ou de comissões, bem como, os contratos temporários são alguns dos casos que nos chegam de deterioração das condições laborais.

Cada família que está a ser acompanhada tem, em média, um rendimento mensal de 1200 euros e enfrenta uma taxa de esforço em créditos de 76%, uma percentagem muito superior ao que recomendamos. Os gastos mensais com créditos não devem absorver mais de 35% do rendimento mensal.

Em média, cada família que recorreu ao Gabinete de Proteção Financeira da DECO tem 5 créditos e as prestações ascendem aos 920 euros.

Os montantes médios do crédito, que em 2018 eram de 16.111 euros para o crédito pessoal e 7.580 euros para os cartões de crédito, subiram no ano passado para, respetivamente, 22 mil euros e 8.300 euros.

A maioria dos consumidores que nos pediram ajuda eram trabalhadores do setor privado (44%), contra 14% do setor público, 19% eram desempregados e outros 19% reformados.

É urgente a criação de “regras muito apertadas” para a concessão de cartões de crédito e a aplicação das recomendações do Banco de Portugal à concessão de crédito ao consumo.

Em caso de dificuldade financeiras não hesite em pedir-nos ajuda. Qualquer consumidor de boa-fé que não consiga pagar as suas dívidas pode pedir ajuda ao Gabinete de Proteção Financeira da DECO. As dívidas devem ter por base uma relação de consumo e não podem estar em tribunal.

 

DECO CENTRO

Os leitores interessados em obter esclarecimentos relacionados com os seus direitos enquanto consumidores, bem como resolver os seus problemas, podem recorrer ao Gabinete de Apoio ao Consumidor da DECO, bastando, para isso, escreverem para a DECO – Rua Padre Estêvão Cabral, 79-5º, Sala 504-3000-317 Coimbra ou para deco.coimbra@deco.pt.