Sindicato exige que empresa dos transportes urbanos de Viseu cumpra com salários

343

Um plenário dos trabalhadores da empresa Berrelhas culminou hoje com a aprovação de resoluções a entregar a entidades responsáveis e com possível realização de greve, caso os ordenados voltem a atrasar, disse um dirigente sindical.

“Os trabalhadores hoje, dia 17, ainda não tinham recebido os salários de janeiro e levaram a cabo um plenário em que foram aprovadas três resoluções para se entregar uma na Câmara Municipal [de Viseu], uma outra na empresa e também na ACT [Autoridade para as Condições de Trabalho]”, afirmou Hélder Borges.

Este dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) na região Centro adiantou à agência Lusa que a carta será entregue a estas três entidades, porque todas elas têm responsabilidades.

“A empresa já não tem cumprido com as questões de higiene e desinfeção das viaturas, já tivemos aqui alguns casos em que a empresa não teve prevenção na desinfeção de viaturas ou até na atribuição de viaturas” e a Câmara de Viseu “também é responsável por isto”, apontou.

Depois, continuou, “a ACT também, porque está a par de tudo isto”, acrescentou, referindo que “já algum tempo houve uma posição da empresa, em que houve acidentes graves com trabalhadores, e a ACT passa um bocado ao lado” do que vai acontecendo.

“Também é obrigação da ACT de intervir nessas situações, porque há obrigações dos trabalhadores e há obrigações da entidade patronal, portanto, quer a ACT, quer a Câmara e a própria Segurança Social, por causa da questão do ‘lay off’, têm de fiscalizar esta empresa e têm de obrigar esta empresa a cumprir, que foi para isso que ganharam o concurso”, sustentou.

O sindicalista disse que “a empresa justifica o atraso nos pagamentos aos trabalhadores pelo incumprimento do pagamento das Câmaras municipais”, mas, em seu entender, “os trabalhadores não são cobradores de impostos nem de faturação, são funcionários da empresa e é com a Berrelhas que têm vínculo laboral e não com a Câmara municipal”.

Hélder Borges adiantou que “a empresa tentou usar os trabalhadores para junto da Câmara [de Viseu] pressionarem ao pagamento, se é que há dívidas”, alertou, assegurando que “não há comprovativo e a Câmara diz que tem tudo em dia e a empresa diz que há pagamentos em atraso”.

“Certo é que, antes de começar o plenário de hoje fomos contactados pela empresa a dizer que já tinha existido uma transferência e que, a partir de hoje, iria ser feita uma transferência para os trabalhadores. Certo é que até ao momento (15:00) ainda não temos essa confirmação e os trabalhadores estão a aguardar o pagamento”, assinalou.

O sindicalista adiantou que no plenário de hoje “ficou ainda marcado um possível plenário ou pré-aviso de greve ou outras medidas, se esta situação se repetir, nomeadamente no próximo mês”.

Segundo este responsável, a Berrelhas presta serviços de transporte urbano em Viseu, Penalva do Castelo, Mangualde e Carregal do Sal que é onde esta empresa opera, “mas a principal, onde atua com mais frequência e com mais meios é em Viseu”.

“Esta empresa já há um tempo andou a pagar a cinco, oito, mas pronto, havia uma tolerância dos trabalhadores que compreendiam esta situação que estamos a viver. Agora é claro que não podemos aceitar que um trabalhador esteja até ao dia 17 sem receber”, avisou.