“SENHORA DA GRAÇA, OU DO ALQUEVE – FORTALEZA DE DEUS?” É O DESTAQUE DE ABRIL

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A campanha «Mangualde, o nosso património!», que voltou a ser quinzenal, destaca nesta primeira quinzena de abril a “Senhora da Graça, ou do Alqueve – Fortaleza de Deus?”. Promovida pela autarquia, esta campanha tem como objetivo aproximar a população do património mangualdense do mais belo que existe no concelho.

 

Senhora da Graça, ou do Alqueve – Fortaleza de Deus?

Mais conhecida, hoje, por Senhora da Graça, a ruína da capela que podemos observar fora da aldeia de Fornos era conhecida, no século XVIII, por ermida de Nossa Senhora do Alqueve. Isolada, a meia encosta, mas com excelente vista sobre a aldeia, integrava um conjunto de dez ermidas por toda a freguesia, sendo que no lugar de Fornos coexistia com a de São Tomás de Aquino e com a de Santo António.

A Senhora do Alqueve apresenta-se em estado de ruína. De planta simples, levemente rectangular, de pequenas dimensões, percebendo-se que o telhado seria de duas águas, para Norte e para Sul. A sua construção, essencialmente a seco, é feita com recurso a silhares de granito bem aparelhados, pseudo isódomos na fachada principal e com menos rigor nas paredes laterais e de fundo. Na fachada principal abre-se um portal em arco de volta perfeita e de arestas chanfradas. Ao lado, pequeno janelo, também de arestas chanfradas. Na parede Norte, pequena fenestra, em jeito de seteira, se abre para iluminar a zona do altar. Na parede a Este erguia-se o altar cuja estrutura em granito também se encontra desmoronada. O altar estava assente em plataforma mais elevada face ao piso da nave que aparenta ser em lajes graníticas, também.

As fontes históricas não evidenciam mais dados sobre este templo, contudo toda a sua aparência arquitectónica lhe confere uma cronologia que a atira para uma época bem recuada na História:  aparelho à vista (sem intenção de reboco), construção austera, forte e sóbria, reduzida luminosidade no interior, arco de volta perfeita, orientação rigorosa a Este, dando aspecto de “fortaleza de Deus”. Lembra o estilo românico, pese embora o chanframento das arestas do portal poder apontar para o século XVI.

Será mais provável que seja do século XVI, de construção relativamente coeva à parte seiscentista da Casa da Quinta de Santo António, que lhe fica relativamente perto. A Imagem de Nossa senhora da Graça, por relatos populares, encontra-se na posse do solar referido.

O termo Alqueve deriva de alqueive e quer dizer “terra de pousio”; a toponímia não nos ajuda a perceber a “arqueologia” deste sítio.

Coordenadas geográficas: 40° 36.229’N; 7° 48.941’W

António Tavares, Gabinete de Gestão e Programação do Património Cultural da Câmara Municipal de Mangualde

 

Com esta campanha todos ficam mais próximos do vasto esplendor patrimonial do nosso concelho. Nesse sentido, continua a ser colocada, nos meios digitais do município, a informação sobre o monumento/património apresentado.

Foram já vários os bens patrimoniais destacados por esta campanha nos últimos anos. A título de exemplo, Já foram destacados os Refrigerantes Condestável de Abrunhosa do Mato, os Bordados de Tibaldinho, a Casa dos Condes de Mangualde, a Fonte de Ricardina, vestígios arqueológicos ao tempo do Império Romano em Pinheiro de Tavares, a Capela de São Domingos de Ançada, a Carvalha, a Capela de Santo António em Mesquitela, a Fundação de Nossa Senhora da Saúde de Cunha Alta, os símbolos maçónicos e o Solar de Santa Eufémia. Mais recentemente, estiveram em destaque o Santuário de Santa Luzia, em Freixiosa; a Casa de Darei, na aldeia de Darei, freguesia de Mangualde, a Igreja Matriz de Várzea de Tavares, a Calçada Romana de Mourilhe; a Igreja de São Pedro de Cunha Alta; e a Capela de São Sebastião, em Santiago de Cassurrães, a Alminha de Tabosa, a Capela de São Domingos de Vila Mendo, o Pontão da Amieira, em Quintela de Azurara e o Depósito da Cruz da Mata.