Presidente da Câmara de Tabuaço diz que cheque-bebé “é um presente” e não medida de fixação

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O presidente da Câmara Municipal de Tabuaço disse hoje à agência Lusa que os cheques-bebé entregues pela autarquia, desde 2013, são “mais um presente” para as famílias, porque para fixar pessoas são urgentes as medidas nacionais.

“O cheque é de 1.000 euros para o primeiro filho, 1.500 para o segundo e a partir do terceiro filho são 2.000 euros. Mas é óbvio que as pessoas não têm filhos para receberem o cheque. Isto é mais uma forma de os presentear e contribuir para minorar as despesas”, disse Carlos Carvalho.

Na última semana de janeiro, a autarquia de Tabuaço entregou quatro cheques-bebé, num total de 4.500 euros e, desde 2013, já foram distribuídos pelo executivo 242, para 205 famílias, num total de 277.500 euros.

O cheque, explicou o social-democrata, “tem obrigatoriamente de ser gasto em estabelecimentos do concelho” e, com isto, “acaba por haver uma economia circular, porque todo o valor é reinvestido no concelho” de Tabuaço.

“Ou seja, este cheque-bebé tem um duplo sentido, porque é um entusiasmo para a família e tem a perceção de melhorar aquilo que é o comércio local que, nesta fase de covid, então, está muito mais complicado para os nossos comerciantes”, destacou.

Esta medida municipal “é para ajudar a atenuar os constrangimentos financeiros” e “é mais um incentivo diferenciador numa lógica de migrações mais curtas na região, como existe a das bolsas de estudo para os alunos do ensino superior”.

Tabuaço registou nos últimos Censos uma “baixa muito grande de população” e, nesse sentido, o autarca sublinhou a “necessidade de políticas nacionais para virar o paradigma daquilo que é a falta de investimento que acontece no interior do país há décadas”.

“Nós defendemos que qualquer estratégia para contrariar este êxodo e esta perda acelerada de população não pode ser uma estratégia de âmbito local, até porque nenhum município tem a capacidade de colocar em prática políticas de natalidade e de fixação das pessoas”, disse.

Carlos Carvalho alertou que “não interessa descentralizar secretarias de Estado ou Ministérios, porque isso é uma realidade muito pequena para as reais necessidades” de Tabuaço e, por isso, sugeriu a presença de funcionários de serviços públicos.

“Precisamos de descentralizar funcionários da segurança social, dos tribunais, já que muitos deles estão localizados sempre nos mesmos sítios, como em Lisboa e Porto, e nós aqui temos condições, e estão fechadas, porque não termos pessoas para as utilizar”, apontou.

Com o exemplo, apontou o tribunal, que “é novo, tem 20 anos, e a maior parte dele está fechado”.

Sugeriu, por isso, que “as dezenas de funcionários que devem estar quase “empacotados” nos últimos andares do Campus da Justiça a trabalhar que se fixem em Tabuaço a trabalhar e a fazer vida”.

O autarca admitiu que olha para o futuro “com algum pessimismo, infelizmente, porque, para além da perda da população, a faixa etária de quem está é muito alta e, num horizonte temporal de 10 a 20 anos, ainda menos pessoas” o concelho terá.

“Se não for feito nada agora, se não houver uma aposta clara nesta inversão, vai haver grandes dificuldades na sustentabilidade do território do interior do país e em regiões como a nossa, de Tabuaço”, apontou.