Physis

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 Exposição |  Carina Martins

 Curadoria  | Rui Ibañez Matoso

No conjunto de fotografias que compõem Physis, Carina Martins afasta-nos do regime diurno determinado pela razão instrumental moderna, favorecendo uma digressão dos sentidos para além do imediatamente visível e levando-nos a percorrer uma certa geografia da noite e da penumbra. A perspectiva linear do olhar cognitivo (ocularcentrismo) perde a sua frontalidade, a visão torna-se periférica e à racionalidade sucede a afecção. Nestas circunstâncias, a ausência de luz solar intensifica a existência espectral das coisas e essas presenças reais tornam-se manifestas em cada uma das imagens. Entre o limiar urbano e civilizacional do antropoceno e o imenso território da bioesfera, a fotógrafa realiza uma investigação visual ao epicentro da luz nocturna e dos seus ecossistemas, elogiando a sombra dos lugares habitados por uma miríade de organismos minerais, vegetais e animais.

A exposição contará com a presença da artista e curador.

Carina Martins vive e trabalha em Lisboa. Licenciou-se em Tradução de Inglês-Alemão pela Universidade Católica e em 2016 concluiu o Curso Avançado de Fotografia no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual. Trabalha principalmente com fotografia e vídeo, explorando as paisagens industriais, a natureza, os lugares perdidos. Num processo de descontextualização e apropriação desses elementos, interessa-se pela desocupação humana dos lugares, na quietude, em formas geométricas e ficcionais. Tem exposto com regularidade desde 2008.

carinamartins.org

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vimeo.com/carinamrts

twitter.com/carinamrts

 

Physis: texto do curador da exposição, Rui Ibañez Matoso

We are walking, talking minerals.

Vladimir Vernadsky

Quando a humanidade se habituou a dominar a natureza, manipulando-a como um meio para atingir certos fins, esqueceu-se. E esse “esquecimento” permanece até hoje como símbolo da violência antropocêntrica exercida sobre o planeta. Se no outro lado do espelho, ou no inconsciente, habita ainda um vestígio da comunhão primordial com o cosmos, do lado de cá multiplicaram-se com êxito as metafísicas do divino e do transcendental, enquanto a physis perdia lentamente a sua mais íntima potência de Ser, para se conotar somente com a matéria tangível do mundo natural. No cerne desta dualidade, e da quase-eterna distinção entre a alma e o mundo, entre sujeito e objecto ou entre matéria e energia, foi sendo arquitectada toda uma ontologia bélica do ser humano, demasiado humano.

Toda esta carga ideológica acumulada ao longo dos séculos e vertida na hierarquia humanista, confronta-nos agora com uma anomalia à escala planetária. Ainda assim, para além da actual urgência ecológica, é necessário descolonizar a imagem cristalizada da subjugação da natureza que nos é incutida, desde tenra idade, pela ideologia do consumo massificado.

No conjunto de fotografias que compõem Physis, Carina Martins afasta-nos do regime diurno determinado pela razão instrumental moderna, favorecendo uma digressão dos sentidos para além do imediatamente visível e levando-nos a percorrer uma certa geografia da noite e da penumbra. A perspectiva linear do olhar cognitivo (ocularcentrismo) perde a sua frontalidade, a visão torna-se periférica e à racionalidade sucede a afecção. Enquanto que em projectos anteriores o referente fotográfico se inscrevia sob uma luminosidade diurna, Physis, aproxima-nos agora de outras formas de vida, procurando, sob a cintilação da noite, a matéria vibrante constitutiva de todas as substâncias. Nestas circunstâncias, a ausência de luz solar intensifica a existência espectral das coisas e essas presenças reais tornam-se manifestas em cada uma das imagens. Entre o limiar urbano e civilizacional do antropoceno e o imenso território da bioesfera, a fotógrafa realiza uma investigação visual ao epicentro da luz nocturna e dos seus ecossistemas, elogiando a sombra dos lugares habitados por uma miríade de organismos minerais, vegetais e animais.

O desejo de aproximação à natureza em si reflecte-se no acto de fotografar enquanto possibilidade de mergulhar na frágil complexidade da interdependência da vida e, consequentemente, na imanência de uma estética ancorada na dimensão ecológica da consciência artística. No entanto, se quisermos adoptar uma perspectiva intrínseca à ecologia profunda, ou seja, se nos quisermos aproximar da ‘natura naturans’, uma representação pictórica (picture) da natureza de pouco serve. Confrontamo-nos assim com uma aporia ou descrença paradoxal: como produzir uma fotografia da “coisa em si”, ou do irrepresentável? Que não se confine à mera figuração de um objecto, e que ofereça ao observador a possibilidade de se confrontar com outro ser, i.e., de sujeito para sujeito.

No confronto entre o olhar e as imagens de Physis – bem como na nossa relação com a natureza – algo deve mudar e, a acontecer, é ao nível da fenomenologia da percepção e das suas modulações afectivas e cognitivas. Já não se trata de ver como no regime antigo da visão pré-tecnológica, mas de aceder poeticamente a uma outra partilha do sensível, desaprendendo os preconceitos inflexíveis do que possa ser uma floresta, uma árvore ou uma montanha.

Rui Ibañez Matoso

https://medium.com/@ruimatoso

https://estc.academia.edu/RuiMatoso

http://cicant.ulusofona.pt/our-team/rui-manuel-pinto-ibanez-matoso/

https://culturavivaruimatoso.wordpress.com/

https://www.facebook.com/culturaviva2/

https://www.publico.pt/autor/rui-matoso

https://repositorio.ipl.pt/browse?type=author&authority=3653d2d9-f428-434e-8e0f-995365e2fc60

 

 

CONCERTO

Tobias Preisig (CH)

&

Jan Wagner (DE)

A convite da Trás-os-Montes Records,  a Venha a Nós a Boa Morte tem o prazer de apresentar, pela primeira vez em Portugal, os músicos Tobias Preisig (Suíça) e Jan Wagner (Alemanha) para uma tournée, em várias cidades, neste caso em Viseu.

Vivem ambos em Berlim, cidade onde colaboram regularmente ao longo dos 5 últimos anos, sendo esta a primeira vez que viajam juntos para a apresentação do projecto experimental que é dividido em 2 partes,  de 40’, aproximadamente.

Jan Wagner começou a tocar com 5 aos de idade, é pianista, produtor e engenheiro de som.

Jan explora a simplicidade de expressão que maximize a verdade emocional de cada uma das suas composições. Fascina-o a música escondida sob a superfície; as sobreposições, as texturas e os sons criados pelo mecanismo do piano (cliques, rangidos), ficcionando atmosferas ambientais cheias de mistério.

Ao longo dos anos, Jan produziu vários discos para a Ostgut de Berlim, o que pode explicar as suas inclinações para o minimalismo e o seu compromisso inabalável a procura da eficiência e imediatismo sónico. Jan trabalha no lendário Faust Studio Scheer, ao lado de Hans Joachim Irmler, há mais de uma década. Ele é ainda visita frequente do estúdio Hitipapa, de Paola Roy e de Judith Holoferenes.

O disco de estreia de Jan, intitulado Nummern, foi lançado em Outubro de 2019.

Facebook: https://www.facebook.com/janwagnermusic/

Instagram:https://www.instagram.com/jan__wagner

Label:https://klangbad.de/http://quietloverecords.com/

 

Tobias Preisig, natural da Suíça, é violinista,  compositor e improvisador, e está baseado em Berlim.

A sua música explora as intersecções entre o experimental, ambient, o grande leque da música electrónica, bem como a neo-contemporânea.

Actua a solo e é também uma das metades dos projectos Egopusher (com Alessandro Giannelli) e Levitation (com Stefan Rusconi no órgão de igreja).

Algumas das suas colaborações mais recentes incluem o projecto Sorrow de Colin Stetson, ainda com The Cinematic OrchestraDieter Meier, e com Jan Bang.

+Info: https://www.tobiaspreisig.com/about

Site: https://www.tobiaspreisig.com/

Facebook: https://www.facebook.com/TobiasPreisigMusic/

Instagram: https://www.instagram.com/tobias_preisig/

Soundcloudhttps://soundcloud.com/tobiaspreisig_music

 

 

DJSET

Afonso Macedo (PT)

Figura crucial no panorama da música de dança faz mais de duas décadas, revela um saber, sensibilidade e sentido de direcção quase únicos, reveladores de uma visão ampla e profundamente conhecedora das lógicas e histórias da pista de dança e de outros espaços de prazer.

Um daqueles nomes que esteve sempre presente nos momentos mais fulcrais e de viragem, que temos a maior honra em receber uma vez mais.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=oPx0LltqnYM&feature=emb_logo

 

 

VENHA A NÓS A BOA MORTE