Mais de 50 artistas e três mil visitantes passaram pela incubadora de Viseu

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Mais de 50 artistas e de três mil visitantes e espetadores passaram pela Incubadora de Indústrias Criativas do centro histórico de Viseu no último ano, o que leva a autarquia a fazer um balanço muito positivo do trabalho desenvolvido.

Em conferência de imprensa hoje realizada, o vereador da Cultura, Jorge Sobrado, disse que o executivo concluiu que os pressupostos dos acordos celebrados há um ano com seis artistas e com uma empresa de turismo cultural para usarem aquele espaço foram “não apenas cumpridos, como até excedidos”.

“As contrapartidas que havíamos previsto e fixado nos acordos com o município não apenas foram cumpridas, como foram multiplicadas, nalguns casos por dois e, noutros casos, por três”, frisou.

Jorge Sobrado referiu que Inês Flor, Luís Belo, Carlos Salvador, Bruno Pinto, Sónia Barbosa e Graeme Pulleyn, que compõem o coletivo Cava, e a empresa EON Indústrias Criativas desenvolveram mais de 60 atividades gratuitamente para a comunidade.

“Por aqui passaram mais de 50 artistas, não fugazmente, mas em residência ou em trabalho criativo”, realçou, congratulando-se por o coletivo Cava ter tido um “efeito difusor”, ao partilhar o seu espaço de trabalho.

Em 2019, realizaram-se oito peças de teatro (com um total de 30 apresentações), 15 oficinas de música, teatro, fotografia, dança e artes plásticas, entre outras, 21 sessões de cinema (com mais de 90 filmes e 40 convidados) e duas exposições (com mais de 20 artistas participantes).

Na opinião de Jorge Sobrado, a Incubadora de Indústrias Criativas do centro histórico transformou-se “num pequeno porta-aviões de atividades, de projetos e de atores culturais”.

“Este espaço é, simultaneamente, um travão contra o esvaziamento natural por que passam todos os centros históricos e é um acelerador de novas atividades, de novas dinâmicas, de novos públicos no centro histórico”, realçou.

Segundo o vereador, a incubadora “é também um contributo para preencher uma lacuna” sentida em Viseu e também “em muitas cidades que se querem afirmar pela dimensão cultural”, que é a falta de centros de criação.

“Se Viseu quer ser, e Viseu quer, uma cidade de criação e uma cidade cultural tem de disponibilizar espaços de criação. E isto nós temos pouco. Este espaço não veio resolver um problema, mas veio dar um contributo, preencher uma lacuna nesta dimensão”, considerou.

O ator e encenador Graeme Pulleyn disse que, no início do ano, os artistas estarão a criar e também a preparar candidaturas para conseguirem financiamento para os seus projetos artísticos.

No entanto, vão realizar-se algumas atividades para o público, como as oficinas de música “Tatabitato” e “Corpo de Som”, com Bruno Pinto e Ana Bento, e uma oficina infantil de arranjo floral, com Amaro Figueiredo.

Em maio e junho, haverá a apresentação do espetáculo “Donzela de Milho”, destinada à primeira infância, com encenação de Graeme Pulleyn e a participação de Emanuel Santos, um jovem artista de Viseu.

Também com encenação de Graeme Pulleyn, em setembro será apresentado o espetáculo de teatro ecológico “Plastikus Artistikus”.

A incubadora voltará a acolher este ano as sessões do “Shortcutz Viseu”, um evento produzido e apresentado por Carlos Salvador e Luís Belo.

Inês Flor tem já várias oficinas programadas, Bruno Pinto espera passar a criar, a partir de março, no seu novo estúdio, e Sónia Barbosa pretende apostar na formação e convidar artistas de fora para trabalharem em Viseu.

“Para além de investir na profissionalização local, acho que é muito interessante esta ideia e tentar manter uma dinâmica de cruzamento, de partilha, de encontro e de experimentação”, disse Sónia Barbosa, lembrando que o espaço da incubadora “tem essa lógica”.