Jovens promovem “Ronda da Rua Velha” com discoteca da palha em aldeia de Tabuaço

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A “Ronda da Rua Velha” regressa no fim de semana a Guedieiros, freguesia de Sendim, Tabuaço, numa edição com músicos convidados, 14 casas “transformadas em tascas” e uma “discoteca da palha”, disse hoje à agência Lusa um dos responsáveis.

“Isto começou por ser uma brincadeira, há uns anos, mas está a ganhar força e este ano já temos dois grupos musicais convidados, um de Bragança e outro de Coimbra”, disse à agência Lusa um dos elementos da organização.

Marco Penela faz parte de “um grupo de uma dúzia de amigos” que se reúnem ao fim de semana em Guedieiros, no concelho de Tabuaço, distrito de Viseu, para visitarem a família.

Nesses encontros, começaram a organizar “pequenas atividades” para dinamizarem a aldeia envelhecida que não tem mais de 90 habitantes”.

“A primeira coisa que organizámos foi um passeio de motas antigas nas ruas de Guedieiros e depois disso ficámos conhecidos por os ‘Caracóis da Calçada’. De tempos em tempos, vamos organizando umas coisas e foi assim que nasceu a ‘Ronda da Rua Velha’”, contou.

Aquilo que começou por “ser uma brincadeira” vai este ano para a quarta edição e, após a pausa de dois anos devido à pandemia, “regressa e com mais força e cada vez mais organizado e a envolver mais pessoas”.

“Nos primeiros dois anos fizemos com a ajuda dos nossos pais e familiares, agora já temos jovens voluntários que se começam a envolver nas atividades e temos pessoas a oferecerem-se para montarem as suas tasquinhas”, contou.

Estes espaços de repasto localizam-se nas “partes de baixo das casas, onde antigamente se guardavam as pipas e tinham os lagares ou os animais”.

No início, o grupo de jovens falou com “os proprietários das casas velhas para cederem essas lojas” por um fim de semana.

“Nós limpamos os espaços e arranjamos para dar uma nova vida a uma casa velha e desabitada. O primeiro ano fizemos isso em seis casas e, este ano, já são 14 que vão servir de tasquinhas”, contabilizou.

Marco Penela sublinhou ainda que, desde a primeira “Ronda da Rua Velha” que organizaram, “já foram recuperadas sete casas na aldeia, porque os proprietários acabaram por as arranjar e, alguns, continuam a emprestar a parte de baixo”.

“E é ali que montamos as tasquinhas, onde temos os nossos pratos tradicionais, essencialmente ligados à caça, como o javali, também o famoso cabrito, muitos petiscos, porque é o que as pessoas também procuram, e o nosso vinho”, descreveu.

A ronda, explicou Marco Penela, “é feita ao longo de uma rua que dá a volta a uma casa que tem uma quinta, que também cede alguns espaços” à organização, e as pessoas “compram uma caneca de barro para percorrerem as tasquinhas ao longo da rua e provam os petiscos”.

“Desde a primeira edição que não usamos plásticos. É tudo em louça, como antigamente, é uma autêntica recriação dos antepassados. As próprias pessoas já têm a preocupação em limparem os utensílios da agricultura para decorarem as tasquinhas e a rua”, apontou.

Marco Penela disse que “também há fardos de palha espalhados, para quem se quiser sentar” e “de hora a hora há animação musical feita por diversos grupos da região que se oferecem para animar a ronda” em Guedieiros.

“Tudo música que os habitantes gostam, porque isto é para eles, é para dinamizar a aldeia e eles fazem parte da ronda. Saem de casa e gostam de falar com as pessoas e de partilhar com quem os visita”, disse.

A “Ronda da Rua Velha” conta ainda com um espaço “dedicado mais aos jovens, mas aberto a todos que queiram, que é a discoteca da palha”, ou seja, “um galinheiro que é cedido e limpo” para acolher “um dj e todos quantos queiram dançar”.

“A pista já se tem tornado pequena para todos os que vão, mas as pessoas vão rodando. Como fazemos isto sempre no último fim de semana de julho, os nossos emigrantes já marcam férias para esta altura, para virem à ronda”.