FILANDORRA NA ROTA CELTA DAS FESTAS DE INVERNO

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NOITE DAS BRUXAS À PORTUGUESA DE VILAR DE PERDIZES EM MONTALEGRE

O TEATRO E AS SERRAS NA FESTA DA MONTANHA DE SAMBADE EM ALFÂNDEGA DA FÉ

E A FESTA DA CABRA E DO CANHOTO DE CIDÕES EM VINHAIS

Filandorra – Teatro do Nordeste, numa linha de trabalho que pretende rememorar as tradições da interior do país, vai estar presente nos grandes eventos de cariz popular que marcam a agenda cultural da região ao longo desta semana: a “Noite de Bruxas à Portuguesa” de Vilar de Perdizes (Montalegre) a 31 de Outubro, a “Festa da Montanha” de Sambade (Alfândega da Fé) a 01 de Novembro, e a “Festa da Cabra e do Canhoto” em Cidões (Vinhais) a 02 de Novembro.

Neste contexto, a noite de 31 de Outubro em Vilar de Perdizes, a “capital” da bruxaria em Portugal, promete muita animação, com bruxas, bruxos, trasgos e diabos à portuguesa à solta pelas ruas desta pequena aldeia do Concelho de Montalegre. Estão preparadas muitas surpresas “horripilantes”, desde jantares embruxados que vão “deliciar” e “assustar” os convivas, ao Cortejo Embruxado que vai percorrer os canelhos da aldeia. A noite termina com a Tradicional Queimada, feita à base de aguardente e outros ingredientes naturais, esconjurada pelo Padre Fontes e com a presença do Deus Larouco e da sua corte de trasgos, dianhos, bruxos, bruxas e outras figuras quejandas… que à volta da grande fogueira se vão unir para ritual satânico do Beijo de despedida no cú do Diabo, que finaliza com o  Bailinho das bruxas no terreiro com vassouras à mistura… a interacção com os participantes vai ser uma constante nesta que é a noite de bruxas mais genuína de país.

O dia 01 de Novembro é marcado pela “regresso” do projecto “O Teatro e as Serras” a Sambade, em Alfândega da Fé, com o espectáculo “Histórias da Vermelhinha” a adaptação ao palco dos contos “proibidos” da tradição oral das terras do Barroso que Bento da Cruz reproduziu na obra com o mesmo nome. Integrando a programação cultural da Festa da Montanha de Sambade, as velhas e novas gerações vão (re)descobrir quinze da meia centena de contos que compõem a obra  respeitando a classificação do próprio autor: Histórias de Galegos, Histórias de Crítica Social, Histórias Eróticas e Histórias de Padres, numa visita ao vasto planalto encantado que em termos cénicos é desenhado em luz e som: a serra, os lobos a uivar, a neve, o estio, os guardas-fiscais, as pauladas… num jogo lúdico em que a dança e a performance corporal de todo o elenco vivifica a riqueza das personagens de “antanho”.

No Sábado, 2 de Novembro, a Filandorra revisita a Festa da Cabra e do Canhoto de Cidões (Vinhais), uma da tradição celta que abre as Festas de Inverno no Nordeste Transmontano. Trata-se de uma iniciativa de cariz popular revitalizada pela Associação Raízes da Aldeia de Cidões que atrai anualmente milhares de pessoas que se “juntam” aos 17 habitantes da aldeia para, em volta de uma grande fogueira, se despedirem da estação Clara, ou seja o Verão e o bom tempo, e se prepararem para a estação Escura, o início do Inverno, o mau tempo. Druídas, trasgos e bruxas associam-se às deusas celtas e aos rapazes da aldeia para “queimar” o cabrão e comer da cabra Matchorra cozinhada em potes na “maior e gigantesca fogueira” porque, e como diz o povo de Cidões, Quem da cabra comer e ao canhoto se aquecer um ano de sorte vai ter. A noite promete muita animação com rituais celtas à mistura!

A participação da Filandorra nestas iniciativas conta com o apoio dos Municípios de Montalegre, Alfândega da Fé e Vinhais, com os quais a Companhia mantém um Protocolo de Cooperação nos domínios da formação e animação teatral com vista à promoção da identidade cultural transmontana.

 

Foto : Municipio de Montalegre