Festival “Que jazz é este?” comemora décima edição em julho, em Viseu

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O festival “Que jazz é este?” comemora este ano a sua décima edição, com o regresso a vários espaços da cidade de Viseu e concertos distribuídos por três horários diferentes, de forma a conseguir atingir vários públicos.

Promovido pela associação Gira Sol Azul, o festival decorrerá entre 20 e 24 de julho e voltará a ter o “coração” no Parque Aquilino Ribeiro, mas chegará também a outros espaços da cidade, de que são exemplo o Museu Nacional Grão Vasco, a Casa do Miradouro e a Pousada de Viseu.

Os concertos serão distribuídos por três horários -17:00 (sábados e domingos), 19:00 e 21:30 – porque, segundo Ana Bento, da Gira Sol Azul, foi uma dinâmica que “correu muito bem” na época em que havia mais restrições devido à pandemia de covid-19.

Durante a conferência de imprensa de apresentação da programação desta edição, realizada hoje, Ana Bento referiu que o festival arranca no dia 20, com “um concerto único e especial” que junta o Combo Jazz da Gira Sol Azul (grupo de jovens músicos da associação) e o conjunto viseense Smoke Hills, no âmbito de uma parceria com o Carmo81.

No mesmo dia, os claustros do Museu Nacional Grão Vasco acolherão o projeto Pedro Moreira Sax Ensemble, que apresentará “um trabalho que foi uma composição que fez para um espetáculo de Sofia Dias, Vítor Roriz e Marco Martins, que depois adaptou para esta formação atípica de um ensemble de oito saxofones, ao qual se junta a bateria e o contrabaixo”, acrescentou.

Ana Bento avançou que “o grande regresso ao Parque Aquilino Ribeiro”, que sempre foi “o coração do festival”, acontecerá no dia 21, com um concerto que junta o Coletivo Gira Sol Azul (que integra músicos da região ou com relações a Viseu) ao pianista de jazz britânico Jason Rebello e à cantora e multi-instrumentista Sumudu, de Londres.

Joaquim Rodrigues, da Gira Sol Azul, lembrou que todos os anos o Coletivo Gira Sol Azul se expõe a tocar com músicos que não conhecem.

“A maior parte das vezes partimos do zero. Temos tido a felicidade de [os concertos] terem corrido todos bem”, frisou.

O responsável explicou que este concerto acontece no âmbito de uma míni-residência artística e lembrou que o festival partiu precisamente dos ‘workshops’ de jazz que se começaram a realizar anos antes.

Mais antigo do que o festival, o Workshop de Jazz de Viseu vai este ano para a sua 14º edição, propondo três dias de trabalho intenso orientado por Jason Rebello e Xose Miguélez (Espanha) e, posteriormente, a apresentação em palco do resultado.

“Em termos de formação, é algo que enriquece imenso os músicos e os estudantes de música. Catorze anos depois da primeira edição, continuamos a achar que não temos este tipo de oferta, nem em Viseu, nem perto”, disse Ana Bento, sublinhando a mais-valia de reunir, num mesmo ambiente, “pessoas de níveis tão diferentes, mas que têm coisas a aprender”, desde alunos de música, a músicos profissionais.

No total, o festival terá onze concertos para público em geral, cinco concertos em formato ambulante na rua, cinco concertos ao domicílio, três ‘jam sessions’, uma exposição, três conversas, 20 horas de rádio ao vivo e cinco sessões cinema musicado ao vivo.

Pelo Parque Aquilino Ribeiro passarão ainda José James (Estados Unidos da América), Spinifex (Países Baixos) e Karyna Gomes (Guiné-Bissau).

A Casa do Miradouro acolherá os projetos Peixe Boi e Garfo, que têm sido aclamados pela crítica nacional, Manuel Linhares (Porta Jazz) irá apresenta-se no Teatro Viriato e o Miguel Valente Quarteto poderá ser ouvido na Pousada de Viseu.

Ana Bento acrescentou que se manterão as rubricas Jazz na Rua e Jazz ao Domicílio, com jovens de escolas profissionais de música da região a espalharem música pela cidade, levando-a a toda a gente, inclusive a pessoas que estão institucionalizadas.

“Há uma série de pessoas que continuam a ficar sempre à margem e se, nós não formos ter com elas, elas ficam no seu canto e não veem”, considerou.

No Carmo81 ficará patente a exposição “Que Jazz é este? Pré-história e 10 anos de história”, que relembra projetos das últimas décadas.