Expetativas e indefinições. O desporto é uma atividade MAIOR

384

Um dos muitos problemas que a pandemia está a provocar é o, ainda, maior abandono da prática desportiva dos jovens. Estas gerações têm sido formadas no sentido de que só a competição é importante e, agora que estas estão em suspenso, não conseguem motivar‑se para o desporto.

A verdade é que este abandono tem consequências com que mais tarde vamos ser confrontados em termos de saúde pública. Por exemplo, os jovens sinalizados com problemas motores e de coordenação antes da pandemia vão estar muito pior. A obesidade também vai aumentar. Resumir a prática desportiva à competição é limitador. O Desporto é muito mais que competição.

As dúvidas sobre a retoma das competições infantojuvenis são enormes e divergem de país para país. No caso português, em que o desporto é visto com uma atividade menor e em que não se valoriza o desempenho e superação de cada um de nós, a situação torna-se mais indefinida. Em Inglaterra, já há provas de camadas jovens. Os escalões mais baixos foram os primeiros a começarem e aos praticantes apenas é medida a temperatura corporal.

No entanto, as competições jovens já podiam ter sido repensadas e esta época já podiam realizar-se em moldes diferentes, optando por que fossem mais localizadas de modo a evitar a deslocação de pessoas pelas diversas regiões.

Os campeonatos distritais seniores podiam ter público, em número restrito. A única condição devia ser ter de se ser sócio do clube anfitrião. Fidelizar o sócio, premiando-o com essa possibilidade. Ao contrário do futebol profissional, o desporto amador merece que as aldeias, vilas e cidades tenham o «seu» futebol ao domingo de tarde. Sempre fiéis. Existem problemas nos transportes e nas instalações desportivas que asseguram a prática desportiva. Em muitos casos apresentam condições débeis. Já sem pandemia eram obsoletas!

A verdade é que os critérios para a realização das competições não são coerentes. Não são percetíveis. O desporto é muitíssimo mais que o futebol profissional ou a fórmula 1. Asfixiar o desporto “puro” é um erro com custos incalculáveis.

Dentro das possibilidades de cada família, devem os pais promover a atividade física individual, como o badminton, ténis de mesa, um cesto de basquete no terraço, andar de bicicleta e brincar. Brincar muito, em zonas onde o possam fazer.

No entanto, a situação deve ser acompanhada a todo o momento e a prioridade agora é mesmo a saúde e o combate à pandemia. Podemos, e devemos, refletir sobre estes assuntos e preparar-nos para a retoma logo que estejam reunidas as condições. Até lá, temos de ter confiança na Direção‑Geral de Saúde e cumprir as recomendações.

Protejam-se, para voltarmos o mais breve possível.

Vítor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética Desportiva