Depósitos atingiram recorde de 160 mil milhões de euros em dezembro

412

A pandemia levou os portugueses a aumentarem as suas poupanças junto aos bancos.
Depois das medidas de restrição terem sofrido um maior aperto, os depósitos atingiram
valores históricos que ultrapassam os 160 mil milhões de euros.
A atual pandemia de Covid-19 levou a uma alteração na gestão do orçamento familiar na
vida dos portugueses. Em dezembro de 2020, mês em que a maioria dos portugueses
receberam subsídio de natal, o montante de depósitos de poupança atingiu o valor recorde
de mais de 160 mil milhões de euros.
Desde março que as pessoas se têm dirigido cada vez mais aos bancos para aumentarem
as suas poupanças, situação que se reforçou em novembro com o agravamento das
medidas de restrição e, consequentemente, diminuição do consumo.
Segundo o Banco de Portugal (BdP), “os depósitos de particulares nos bancos residentes
totalizavam 160,2 mil milhões de euros no final de novembro”. Esta informação foi divulgada
no dia 5 de janeiro num comunicado oficial.
Comparativamente ao mês anterior, este valor representa um aumento de 1,6 mil milhões
de euros (aumento de 1%). Já em relação ao mesmo período em 2019, a taxa de variação
anual foi de 7,3%. Em relação a outubro do ano passado, não foram verificadas alterações
relevantes.
Um aumento nos depósitos havia sido registado em julho, sendo que o dinheiro depositado
nos bancos atingiu os 159,2 mil milhões nesse mês. Em agosto, houve uma redução na
quantia depositada, resultado natural da chegada das férias e aumento dos gastos
relacionados.

Créditos com aumentos semelhantes
No mesmo comunicado, foi referido que os empréstimos a particulares também
apresentaram aumentos significativos. “Em novembro de 2020, os empréstimos concedidos
pelos bancos a sociedades não financeiras apresentaram uma taxa de variação anual (tva)
de 8,7%, mais 0,5 pontos percentuais (pp) do que o observado no mês anterior”, explicou o
BdP.
No que diz respeito aos empréstimos para habitação, este aumento foi de 2%, mesmo com
o grande número de pedidos de moratórias que se sentiu no início da pandemia.
Até ao final do mês de novembro do ano passado, foram contratados quase 10,2 mil
milhões de euros para o financiamento da compra de casas. Este foi mais um recorde,
desta vez da década. Isto significa que foram pedidos mais de 30 milhões de euros por dia
para novos créditos habitação.
“As famílias que não perderam rendimento na crise são as que estão a aproveitar para
comprar casa. Mas já se vê à venda casas de famílias que entraram em insolvência”,
comentou Nuno Rico, economista da Deco Proteste, ao Dinheiro Vivo.
De acordo com o banco central, “o impacto no rendimento das famílias em 2020 foi
amortecido pelas medidas governamentais, incluindo as moratórias ao crédito“. Isso pode
explicar o aumento dos empréstimos concedidos, visto que sem estas ajudas seria difícil a
manutenção do rendimento disponível durante a crise pandémica.
A única exceção foi o crédito ao consumo, como é o caso de um crédito pessoal, que
recuou 0,3 pontos percentuais relativamente ao mês anterior, para uma taxa de variação
anual de 2%.
Este aumento no pedido de empréstimos a particulares chegou a números registados em
setembro de 2015. No final de novembro de 2020, o total de créditos financiados chegou a
120.415,5 milhões de euros, mais 374 milhões do que no mês anterior