Cinfães reabilita escolas devolutas com investimento de um milhão de euros

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A Aldeia Comunitária de Bustelo surgiu da transformação que a Câmara de Cinfães fez numa antiga escola devoluta, que se transformou no “novo centro” da comunidade com uma série de valências para todas as idades.

“Muitas aldeias dispersas no concelho têm dessas escolas devolutas e nós temo-las reabilitado e já foram entregues a instituições, nomeadamente associações, para lá desenvolverem as suas atividades”, disse à agência Lusa o presidente daquela Câmara do distrito de Viseu.

Armando Mourisco adiantou que, ao longo dos últimos anos, a autarquia investiu “largas centenas de milhares de euros, mais de um milhão de euros, num trabalho que tem sido gradual” para recuperar mais de 10 antigas escolas em estado devoluto.

“Umas têm o centro de apoio ao serviço domiciliário e centro de dia, outras transformámos em habitação social. Ainda agora adjudiquei mais três para habitação social e, há pouco tempo, inaugurámos numa freguesia envelhecida um espaço comunitário”, contabilizou.

No domingo, a autarquia vai inaugurar os trabalhos de recuperação no Bustelo, “uma aldeia com cerca de 150 pessoas e cuja antiga escola foi transformada num centro cívico que foi batizado de Aldeia Comunitária de Bustelo, porque também é essa a intenção”.

“Ou seja, que os moradores, habitantes, os cinfanenses da diáspora, mas também aqueles que nos visitam e os que fazem os percursos pedestres, e já são nove no concelho de Cinfães e que passam por estas aldeias, possam ter um momento de repouso e de convívio”, disse.

Armando Mourisco referiu que este “é um espaço em que é possível admirar o Montemuro, um espaço de contemplação e também próprio para acolher atividades desportivas e culturais, com a vertente de servir a comunidade como um todo”.

“A antiga escola tem espaços direcionados para todos, para os mais velhos e mais novos. Está climatizada, tem internet e biblioteca, uma sala devidamente equipada para aprendizagem, com ecrã gigante onde é possível assistir a filmes”, descreveu.

No exterior, tem “um espaço polidesportivo e uma churrasqueira, ou seja, tem o que é preciso para dar nova vida às aldeias, tornando-as cada vez mais atrativas num trabalho que é muito difícil de fazer, que é o de combater a centralidade”.

Armando Mourisco defendeu que “a centralidade não é só a das grandes cidades, também existe em município mais pequenos onde a sede do concelho acaba por centralizar tudo e, com estes centros comunitários, combate-se essa centralidade”.

A Aldeia Comunitária de Bustelo teve um investimento “de cerca de 130 mil euros, financiado pelo quadro comunitário de apoio em 85%, ou seja, foi um grande investimento na aldeia, porque vai contribuir para o bem-estar da população, mas pequeno em termos financeiro”.

“São também espaços que estamos a criar com os olhos postos no futuro, porque são lugares que podem ser aproveitados por aqueles cidadãos que querem sair das grandes cidades e podem ter aqui um espaço com todas as condições para trabalhar à distância”, considerou.

Agora, há seis escolas que a Câmara de Cinfães quer “entregar ao setor privado para investirem e ajudar a dinamizar a economia”.

“O objetivo é atrair o investimento privado, através de uma concessão, seja na área do turismo, da indústria ou comércio e serviços. As escolas têm uma localização geográfica muito privilegiada, quer pela envolvência, quer pela paisagem”, referiu.