Chefe do gabinete do Parlamento Europeu espera maior participação nas eleições de 2024

207

O chefe do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, Pedro Valente da Silva, mostrou-se hoje confiante numa maior participação dos portugueses nas próximas eleições europeias, que se realizarão em 2024.

No entender de Pedro Valente da Silva, há “algo de paradoxal” na votação dos portugueses: “Manifestamos grande amor à União Europeia, mas depois somos dos países europeus onde menos se vota”.

Neste âmbito, destacou a importância de iniciativas como o “Parlamento Europeu à sua porta”, que arrancou há uma semana em Vila Real e está a partir de hoje no Rossio, em Viseu, dando a conhecer o funcionamento da democracia europeia.

O chefe do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal disse que, daqui a dois anos, os europeus voltarão a ser chamados às urnas e gostaria que se verificasse uma forte participação dos portugueses, “ao contrário do que sucedeu nas últimas eleições europeias, com 30,6%”.

“Neste momento estamos na cauda da participação eleitoral, a disputarmos os últimos lugares com países em que a União Europeia não é assim tão popular”, lamentou.

No entanto, mostrou-se convencido de que isso poderá mudar com iniciativas como a do projeto-piloto interativo que está em Viseu até segunda-feira, com o objetivo aproximar os portugueses do trabalho do Parlamento Europeu.

Trata-se de um ‘stand’ móvel com uma experiência de realidade virtual imersiva, tecnologia interativa, debates e atividades ao vivo. Será possível assistir a conversas entre eurodeputados, autarcas, jornalistas e representantes de associações e instituições locais, que vão partilhar testemunhos sobre o impacto da União Europeia nas suas vidas e as perspetivas de futuro.

Pedro Valente da Silva considerou que, apesar de hoje haver muita informação na Internet, têm de se realizar ações “no sentido de que as pessoas tenham um contacto quase tátil com a União Europeia”.

Como Portugal está na União Europeia desde 1986, “torna-se uma coisa quase banal” e, “de vez em quando, são precisas iniciativas como esta, trazer os deputados europeus, para que as pessoas sejam abanadas”, acrescentou.

Segundo o responsável, há também “um pouco a perceção de que as eleições europeias são eleições de segunda ordem, o que é um erro completo, porque grande parte da legislação que se aplica em Portugal, seja sobre a qualidade do ar, sobre as regras da água potável ou sobre não pagar roaming” é aprovada pela União Europeia.

“Isto é uma espécie de casamento que já dura há muito tempo, em que o entusiasmo se desvaneceu um pouco. O objetivo é relembrar que a União Europeia está presente no nosso quotidiano e há todo um conjunto de iniciativas que nós hoje em dia nem identificamos que tem origem através da ação dos nossos eurodeputados e dos governos nacionais dos Estados Membros”, frisou.

O chefe do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal acredita que, depois de uma avaliação, este projeto-piloto passará a permanente e chegará aos restantes Estados-Membros da União Europeia.

O projeto “Parlamento Europeu à sua porta” passará ainda pelas cidades de Coimbra (09 a 11 de maio), Évora (27 a 29 de maio), Braga (03 a 05 de junho), Porto (09 a 11 de junho) e Portimão (17 e 19 de junho).