“Cancioneiro de Lamego” apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho

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A Câmara Municipal de Lamego continua a apoiar ativamente todas as manifestações culturais existentes no concelho, através, por exemplo, da promoção de um vasto conjunto de ações de divulgação de obras de autoria de personalidades locais e regionais e de livros que se debruçam sobre a realidade sociocultural da nossa região. Neste sentido, o Salão Nobre dos Paços do Concelho foi o palco escolhido para a apresentação pública do livro manuscrito (dos séculos XVII e XVIII) recentemente identificado “Cancioneiro de Lamego”, com cerca de 800 páginas, organizado por Luís Rebello de Carvalho Albergaria. Após esta apresentação, foi aberto um debate, bastante enriquecedor e animado, sobre este tema, moderado por Aurora Simões de Matos, fundadora da Tertúlia Artes e Letras de Lamego.
Adquirido recentemente por José Pessoa, historiador e técnico de fotografia e radiografia para a conservação de obras de arte, o livro “Cancioneiro de Lamego” vai agora ser objeto de uma “análise profunda” a cargo de Isabel Almeida, professora auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. “Nunca venderei, nem terei quaisquer proveitos monetários, nem para já doarei ou depositarei a obra em questão, sendo o seu futuro provavelmente decidido por testamento. Considero meu dever proporcionar o imediato estudo e logo que possível, assegurar a sua publicação, para usufruto de investigadores e leitores”, afirmou José Pessoa. Em concreto, sabe-se que esta obra “nasceu aqui e é memória de Lamego, que é muito importante uma leitura comparativa com algumas obras similares, que a sua dimensão é invulgar e que abraça um conteúdo patriótico nas referências elogiosas à nova Monarquia Lusitana e a D. João IV, talvez ainda durante a guerra com Espanha, na defesa da nossa independência”, explica.
“O assunto que aqui nos traz é um daqueles que pode acrescentar de forma indelével mais uma joia, uma pérola à cultura de Lamego, enquanto comunidade, mas, posso perceber, também à própria Literatura Portuguesa. Ora, isso transforma este encontro de amigos que gostam de literatura num momento de excecionalidade”, sublinhou a vereadora Ana Catarina Rocha, na intervenção de abertura desta sessão.