Câmara de Tondela pretende valorizar património da central dos Pisões

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A presidente da Câmara de Tondela disse hoje pretender retomar, no início de 2023, os contactos com o Governo relativamente ao futuro do edifício da antiga Central Hidroelétrica dos Pisões, construída em 1925, em Nandufe, que se encontra degradado.

“Continua a ser do nosso interesse aproveitar aquele património e a possibilidade de construir ali um centro interpretativo que, de alguma maneira, possa traduzir aquilo que foi a história do edifício e a importância que teve no desenvolvimento do concelho de Tondela”, afirmou Carla Antunes Borges à agência Lusa.

A autarca social-democrata pretende colocar esse assunto “em cima da mesa para discussão com o senhor ministro do Ambiente ou com a secretaria de Estado”, no primeiro trimestre de 2023.

“Durante este ano não nos foi possível abrir este dossiê, mas isso não significa que não tenhamos esta preocupação em cima da mesa e esta vontade”, garantiu.

Em abril de 2021, deputados do PS eleitos por Viseu visitaram o edifício e lamentaram o seu estado de degradação, considerando que devia ser transformado num “museu vivo da história da eletricidade”.

“Este imóvel, assim como todo o espólio que dele faz parte, podem ser considerados de interesse público, dado o seu valor histórico, ligado diretamente à eletrificação e consequente industrialização do concelho de Tondela”, defenderam.

Na opinião dos parlamentares, atendendo à “importância da produção das mini-hídricas para a sustentabilidade ambiental, este projeto poderá ser um fator de sustentabilidade local e, ao mesmo tempo, um museu vivo da história da eletricidade em Portugal” e especificamente nesta região de baixa densidade.

Os deputados socialistas sublinharam que o conjunto arquitetónico faz parte da história de Nandufe, que “foi das primeiras aldeias da região a ter energia elétrica” e, neste âmbito, defenderam “a sua conservação e manutenção e eventual transformação num local de visita turística na bacia hidrográfica do rio Dinha”.

Por, entretanto, não ter havido desenvolvimentos relativamente a este processo, o deputado municipal José António Coimbra de Matos (PS) enviou uma exposição ao secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas e recebeu uma resposta em agosto.

Na resposta, a que a Lusa teve acesso, é referido que, atendendo ao interesse demonstrado pela autarquia junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para “desenvolver um projeto de valorização museológico” nos Pisões, “encontra-se em articulação o estabelecimento de um protocolo entre as duas entidades para a cedência, a título precário”, daquele edifício.

Questionada sobre este protocolo, Carla Antunes Borges disse que esta é uma matéria que tem de ser avaliada “com a secretaria de Estado e com o próprio ministério”.

“Não sei se será (um protocolo) com a APA, se será com o Ministério do Ambiente. É uma matéria que nós, no início do próximo ano, iremos tratar”, reiterou.

Em abril de 2021, o então vereador da Câmara de Tondela Miguel Torres contou à Lusa que, “desde que foi tornado público que a central iria deixar de funcionar, o município manifestou de imediato à EDP a sua predisposição para acolher o edifício para aí poder desenvolver um eventual polo museológico do Museu Terras de Besteiros”.

Nesse âmbito, enviou “vários ‘e-mails’ para a EDP, entre 2013 e 2015”, mas não obteve resposta.

“No início de 2016, a EDP informou o município de que a sua concessão do espaço havia terminado, pelo que qualquer assunto sobre eventuais cedências teria que ser tratado com a APA”, explicou Miguel Torres.

Nessa altura, o município enviou à APA um ‘e-mail’ “com o mesmo teor, fazendo a mesma proposta e sugerindo a realização de uma reunião”, mas também não recebeu resposta.

“Não é por falta de vontade do município de Tondela que o imóvel se degrada, mas sim porque as entidades responsáveis pela gestão de um imóvel que é da administração central nunca responderam às propostas que lhes foram feitas”, lamentou Miguel Torres.