Apoio a famílias sobreendividadas

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No ano de 2020 a DECO recebeu 30.100 pedidos por parte de famílias sobreendividadas, um acréscimo face ao ano anterior e largamente explicados por desemprego, perda de rendimentos, precariedade laboral ou por negócio que correu mal.

O número de sobreendividados havia estabilizado em 2018 e 2019, mas aumentou em 2020 refletindo a travagem na economia imposta pela pandemia de covid-19 e é com preocupação que a DECO olha para este número.

No ano passado muitas foram as famílias que tinham uma situação financeira perfeitamente normal, mas que a partir de março foram confrontadas com cortes substanciais dos seus rendimentos.

De acordo com os dados do Gabinete de Proteção Financeira da DECO – GPF, dos mais de 30 mil pedidos de ajuda registados em 2020 quase um terço (29%) foram motivados por desemprego.

A esta causa somam-se os 24% de sobreendividados que recorreram à Deco por terem registado perda de rendimentos, por terem visto a sua atividade reduzir-se ou por terem sido colocados em ‘lay-off’ por exemplo. A precariedade laboral e negócio mal sucedido foram as causas referidas por, respetivamente, 10% e 5% dos que pediram ajuda.

Apesar de ter aumentado o número de sobreendividados que recorrem ao apoio da GPF, os processos de intervenção abertos por este gabinete totalizaram 2.747, ligeiramente abaixo dos 2.787 abertos em 2019.

A justificação está em grande parte nas moratórias, pois houve muitas situações em que não foi necessário abrir processo, conseguindo a DECO encaminhar as famílias que pelos próprios meios, conseguiram resolver a situação, muitas delas até através das moratórias.

O rendimento médio daas famílias rondava em 2020 os 1.090 euros líquidos mensais o que traduz uma quebra face aos 1.200 euros de rendimento líquido mensal reportados pelos que pediram ajuda em 2019. O valor de 2020 é sobretudo semelhante com o observado em 2012 (1.053 euros).

Em 2020, as famílias que recorreram à ajuda do GPF tinham um montante médio de prestações mensal de 850 euros por mês, abaixo dos 924 euros contabilizados em 2012.

Estes valores explicam que a taxa de esforço fosse então de 89% e em 2020 fosse de 79%, valores que refletem o impacto das moratórias. Tal como os 37% de incumprimento observados.

De acordo com os dados, depois de subtraídos os encargos com o crédito ao rendimento mensal, estas famílias ficam com cerca de 240 euros disponíveis para fazer face às restantes despesas, o que reflete uma taxa de esforço bastante superior aos 35% que são recomendados.

Os dados de 2020 mostram que 46% dos que tiveram de pedir a intervenção do Gabinete de Proteção Financeira em 2020 dispunham do ensino secundário e que 40% são casados ou vivem em união de facto. São, além disso, sobretudo trabalhadores do setor privado (46%).

Caso se veja confrontado com dificuldades financeiras, contacte-nos gasdeco.net.

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