“A Rota da Medicina Popular”

270

As Terras do Barroso distinguem-se por um património riquíssimo e um imaginário colectivo diferenciador. A
necessidade de salvaguardar estes elementos únicos levou as autarquias de Montalegre e Boticas a delinear um
projecto capaz de assumir a responsabilidade de uma estratégia de desenvolvimento. Nasceu, assim, o Ecomuseu
de Barroso (EB), http://www.ecomuseu.org/ reconhecido agregador e potenciador da identidade, museu de
território em constante relação com a população local e portador da memória coletiva.
Situada no planalto barrosão, a região e as suas gentes souberam preservar rituais únicos, produtos ímpares pela
qualidade e autenticidade, associados a um saber receber sem igual. Estas características assumem-se como uma
mais-valia na promoção turística, fruto da tenacidade de um povo forte, já com reconhecimento além-fronteiras.
“Tocar” a origem fica mais fácil através deste portal capaz de apelar aos sentidos de forma intuitiva. Fica o convite
para que se deixe guiar numa viagem ao compêndio da essência barrosã e conheça este “pedaço de terra”, que
ocupa um terço do único parque nacional do País: o, Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG),
http://www2.icnf.pt/portal/ap/pnpg .
Com a nobre missão de transportar relíquias, apresenta-se como fiel guardião de “momentos” que identificam um
Povo e um território. Daqui parte a descoberta para o que de melhor o “reino maravilhoso” tem para oferecer. A
aventura e as experiências sensoriais excepcionais apresentam-se obrigatórias num roteiro que abraça tradições,
cultura, aldeias e as pessoas, verdadeiros agentes do desenvolvimento local.

https://www.youtube.com/watch?v=M6uPb4XmfbE (Vídeo Promocional de Montalegre)

ROTA DA MEDICINA POPULAR (Concelho de Montalegre)

https://www.guiadacidade.pt/pt/poi-parque-nacional-da-peneda-geres-15831

Porta de Montalegre para o PNPG
• Porta de Montalegre e Ecomuseu do Barroso: situam-se no mesmo edifício, na vila de Montalegre, com funções e
conteúdos que se complementam.
• Pólos do Ecomuseu do Barroso: três núcleos museológicos localizados nas aldeias de Tourém e Pitões das Júnias
no território do Parque Nacional, e em Salto.
• Centro de Interpretação do Planalto da Mourela: localiza-se em Pitões das Júnias e dá-nos a conhecer vegetação
do planalto e a importância deste na economia agro-pastoril local. Do centro partem vários percursos pedestres.
• Mosteiro de Santa Maria das Júnias: É um dos monumentos mais interessantes do Parque, quer pelo seu
enquadramento paisagístico quer pela história que nos dá a conhecer.
• Necrópole Megalítica do Planalto da Mourela: formada por cerca de 20 monumentos.
• Fojo do Lobo de Fafião e da Portela da Fairra (Parada): estrutura tradicional que era utilizada nas batidas ao lobo.
• Complexo Hidráulico de Paredes do Rio: estrutura tradicional que utiliza a água como força motriz. Integra um
gerador de electricidade, uma serra, um pisão e um moinho. Em Paredes do Rio pode ainda visitar o núcleo de
moinhos de água e as 28 estruturas de regadio que compunham o sistema de rega tradicional.
• Forno Comunitário de Tourém: construção toda em granito, um exemplo de arquitectura tradicional.
• Torre do Boi em Travassos: encontra-se no centro da aldeia e é uma torre sineira que possui gravada na pedra
uma cabeça de boi, homenagem aos vencedores das tradicionais chegas de bois.

Ecomuseu do Barroso Multiusos (Porta do PNPG)
O PNPG na Rede PAN Parks
Ocupa uma área de 69 596 hectares e abrange território de 22 freguesias distribuídas pelos concelhos de Melgaço,
Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre. Forma um contínuo, com o Parque Natural
Espanhol da Baixa Limia-Serra do Xurés e os dois parques formam o “Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés”. Em
Maio de 2009, o parque transfronteiriço foi declarado Reserva Mundial da Biosfera (Reserva da Biosfera
Transfronteiriça “Gerês – Xurés”), https://youtu.be/8KOzLpU3rPE .
Em 2008, o PNPG – Parque Nacional da Peneda-Gerês integrou a “Rede PAN Parks”, rede de excelência onde
estão incluídas apenas as melhores áreas naturais da Europa (áreas wilderness).
Quadro Físico do PNPG
O PNPG localiza-se numa região montanhosa acidentada, com cotas geralmente acima dos 700 m, chegando aos
1545 m em Nevosa (Serra do Gerês). O predomínio das rochas graníticas confere às serras um relevo vigoroso e
um carácter desnudado assumindo as mais diversas formas: penhas, pias, blocos, bolas graníticas. No extremo NE
do planalto de Castro Laboreiro e entre Lindoso e São Bento do Cando afloram xistos, metagrauvaques e
quartzitos. Outro aspecto geológico importante prende-se com a presença de formas glaciárias (vales em U,moreias, circos glaciários, rochas aborregadas) que testemunham importantes variações climáticas ocorridas no
passado. Vales e corgas albergam uma densa rede hidrográfica (parte das bacias dos rios Minho, Lima e, Cávado)
alimentada por chuvas abundantes e regulares. Em termos climáticos, esta área sofre a influência atlântica
(predominante), mediterrânica e continental apresentando variações consoante nos deslocamos para o interior ou
em altitude.
No decurso da orogenia varísca ou hercínica instalaram-se as rochas graníticas. As mais antigas, datando de há
pouco mais de 300 Ma, afloram nas serras do Soajo e Amarela, no planalto de Castro Laboreiro e no extremo
oriental da serra do Gerês. Os granitos mais recentes (290 Ma) afloram nas serras da Peneda e do Gerês
conferindo-lhes um relevo mais vigoroso.
A falha geológica do Gerês-Lovios (Espanha) está relacionada com tensões que levaram a uma fracturação tardia,
que cortou e deslocou os granitos da região. Tem uma direcção NNE-SSW e é responsável pela deslocação dos
vales dos rios Cávado e Homem e pelas nascentes termais da Vila do Gerês e do Rio Caldo (Espanha).
Há dois milhões de anos, no Quaternário, ocorreram importantes variações climáticas. As glaciações então
registadas atingiram as latitudes médias deixando marcas evidentes nas serras da Peneda e do Gerês, como circos
e vales glaciares. Um circo glaciar é, por definição, uma depressão com uma forma circular na superfície da terra,
modelada por um glaciar. Um vale glaciar tem um perfil em “U” em vez do “V” típico dos vales fluviais. Encontram-se ainda depósitos de materiais arrastados pelos glaciares, acumulações de calhaus e blocos, mais ou menos
alinhados, designados por moreias.
Habitats, Flora e Vegetação do PNPG
Pela sua situação geográfica, o Parque Nacional da Peneda-Gerês sofre influência dos climas, atlântico,
mediterrâneo e continental, o que permite o aparecimento de plantas adaptadas às mais diversas condições
climáticas. Caracteriza-se assim por uma enorme diversidade botânica, possuindo várias espécies endémicas e
outras de elevado valor para a conservação da natureza. Dos habitats mais característicos destacam-se o carvalhal,
os bosques ripícolas, as turfeiras e matos húmidos, habitats raros e vulneráveis que se desenvolvem em solos
encharcados, e os matos secos que ocupam uma extensa parte deste território. Para a biodiversidade e para a
riqueza paisagística do PNPG contribuem também os habitats semi-naturais, como os pinhais de pinheiro-silvestre,
os lameiros e os prados de montanha. Aqui a vegetação é também natural mas foi já transformada pelo Homem.
O carvalhal
Encontram-se no PNPG alguns dos mais importantes carvalhais de Portugal. O carvalhal é um ecossistema
complexo e diversificado, onde o equilíbrio entre o meio físico e os seres vivos é atingido após um longo processo
de evolução natural. É uma floresta dominada por espécies de folha caduca, com algumas de folhagem persistente,
e com os vários estratos da vegetação (arbórea, arbustiva e herbácea) bem representados, sendo que o carvalho é
a espécie dominante. As espécies de cada estrato variam consoante a ecologia da região. Nas zonas de influência
atlântica, de clima mais ameno e chuvoso, o carvalhal é dominado pelo carvalho-alvarinho (Quercus robur) em

associação com o castanheiro (Castanea sativa), com o padreiro (Acer pseudoplatanus), com a pereira-
brava (Pyrus communis). Em zonas a maior altitude e onde o inverno é mais rigoroso e o verão mais quente e

seco, o carvalho-alvarinho vai sendo substituído pelo carvalho-negral (Quercus pyrenaica), por vezes associado
à bétula (Betula alba) nas zonas de solo profundo e com alguma humidade. Menos frequente e limitado às
vertentes mais abrigadas e ensolaradas, ocorre o sobreiro (Quercus suber). Albergaria, Ramiscal, Cabril e
Beredo são as manchas de carvalhal mais importantes do PNPG, mas é a Mata de Albergaria que se distingue pela
sua biodiversidade, extensão e por ser uma das melhores conservadas da Península Ibérica.
 Os bosques ripícolas
A vegetação que ladeia as linhas de água forma o bosque ripícola, habitat classificado como prioritário (aqueles
mais interessantes do ponto de vista da conservação). Com vales estreitos e cursos de água rápidos, a vegetação
tipicamente ripícola – amieiros (Alnus glutinosa) e freixos (Fraxinus excelsior) – está no PNPG normalmente
limitada a uma faixa estreita que logo dá lugar ao carvalhal. Nas linhas de água de altitude, normalmente em
regiões acima dos 700 metros, surgem bosques de teixo (Taxus baccata), por vezes acompanhado de azereiro
(Prunus lusitanica), de azevinho (Ilex aquifolium) ou de bétula (Betula alba). O teixo é uma espécie rara
em Portugal e é na Serra do Gerês que se encontra a maioria dos bosques de teixo. Pela utilização de uma
substância que possui é um exemplo do uso das plantas na medicina moderna.)

 As turfeiras
As turfeiras (habitat prioritário e raro em Portugal) surgem em zonas encharcadas. O encharcamento do solo,
associado à falta de oxigénio, impede a decomposição total da matéria orgânica que se vai acumulando e formando
a turfa (um carvão natural). Quando a matéria orgânica não se decompõe totalmente, o solo torna-se pobre em
nutrientes minerais e surge uma cobertura vegetal adaptada a essas condições: os musgos do género Sphagnum e
espécies de elevado valor florístico como as bolas-de-algodão (Eriophorum Angustifolium) e as carnívoras
orvalhinha (Drosera rotundifólia) e pinguícola (Pinguicula lusitanica) que compensam a falta de minerais
do solo alimentando-se de insectos.
 Os matos secos
Se no passado, antes da ocupação humana, toda esta região estaria coberta por uma imensa floresta de folhosas,
hoje são os matos que dominam a paisagem. Os matos baixos secos – urzes e carqueja – são os mais abundantes
no Parque Nacional. As giestas e o piorno formam matos altos, menos frequentes. Embora se trate de um habitat
que resulta normalmente da degradação das florestas, os matos possuem ainda assim espécies de interesse para a
conservação, como o lírio-do-gerês (Iris boissieri), a timeleia (Thymelaea broteriana), a tulipa-brava
(Tulipa sylvestris subsp. australis), as armérias (Armeria sp. pl.) e a caldoneira (Echinospartum
ibericum), espécies raras que podemos encontrar nas clareiras de matos secos, principalmente em zonas
rochosas acima dos 1000 metros.
A Fauna do PNPG
Graças à diversidade de habitats naturais, o Parque Nacional da Peneda-Gerês possui uma assinalável diversidade
faunística, com várias espécies endémicas, raras ou de distribuição limitada em Portugal. Estão identificados 246
vertebrados: 161 aves, 40 mamíferos, 11 peixes (incluindo 5 espécies introduzidas), 20 répteis e 13 anfíbios.
Destes, 53 pertencem à lista de espécies ameaçadas do “Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal”. Os grandes
mamíferos, como lobo-ibérico (Canis lupus), o corço (Capreolus capreolus), a cabra-montês (Capra
pyrenaica) e até o garrano (espécie doméstica), são aqueles que normalmente mais atenção concentram.
Porém, a fauna do PNPG não se restringe a estas espécies emblemáticas. Existem muitas outras, de igual
interesse para a conservação da natureza. É caso, por exemplo, de 2 espécies raras e ameaçadas de borboletas
(Euphydryas aurinia e Callimorpha quadripunctata), de 2 escaravelhos (Lucanus cervus e
Cerambyx cerdo) e de uma espécie de lesma (Geomalacus maculosus). Nos cursos de água de montanha
e de planalto encontramos várias espécies de peixes, como a panjorca (Chondrostoma arcasii) e a enguia
(Anguilla anguilla). A rã-ibérica (Rana iberica), o tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) e a
salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) são apenas alguns exemplos de outras espécies, neste caso de
anfíbios, associadas às linhas de água. Existem no PNPG 20 espécies de répteis, 4 delas ameaçadas em Portugal:

o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), a cobra-lisa-europeia (Coronella austriaca), a víbora-
cornuda (Vipera latastei) e a víbora-de-Seoane (Vipera seoanei). Esta última espécie é um endemismo do

norte da Península Ibérica e a sua distribuição em Portugal restringe-se às zonas de Castro Laboreiro, Soajo e
Montalegre. A avifauna é um dos grupos com mais espécies, embora a sua diversidade dependa da época do ano

uma vez que muitas das espécies são migradoras. Destaca-se pelo seu estatuto de conservação o tartaranhão-
cinzento (Circus cyaneus), a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), o cartaxo-nortenho

(Saxicola rubetra) e a narceja (Gallinago gallinago) que tem no PNPG o único local de reprodução
conhecido para Portugal.
Para além das espécies emblemáticas já referidas, os mamíferos estão também representados por 17 morcegos –
5 dos quais com o estatuto de ameaça –, vários roedores e espécies aquáticas como a lontra (Lutra lutra) e a
toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus). A marta (Martes martes), uma espécie arborícola do carvalhal, o
gato-bravo (Felis silvestris) e o arminho (Mustela erminea) são outros dos carnívoros presentes.
 Cartaxo-nortenho (Saxicola rubetra)
A população de cartaxo-nortenho em Portugal é muito reduzida e é no Parque Nacional que esta população é mais
expressiva. É aqui, nos planaltos de Castro Laboreiro e da Mourela, que o cartaxo-nortenho nidifica. Para além do
Parque Nacional, durante a época de reprodução esta espécie só se encontra no Parque Natural de Montesinho,
embora com uma população muito mais reduzida. Habita zonas de matos húmidas e lameiros, fazendo o ninho no
solo, escondido na vegetação.

 

 Lobo-ibérico (Canis lupus)
O PNPG constitui um dos mais importantes refúgios do lobo-ibérico em Portugal e sua população é considerada
população mãe na medida em que contribui para a dispersão da espécie. Embora o número de alcateias varie com
a época do ano e com as condições do habitat, existem pelo menos 7 alcateias estabilizadas no Parque Nacional.
 Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)
Encontra-se em riachos com vegetação abundante nas margens e com muita humidade. É uma espécie endémica
e tem populações abundantes no território do PNPG. Tem a particularidade única de, como mecanismo de defesa,
soltar a cauda quando se sente ameaçada, tal como fazem alguns répteis.
 Víbora-cornuda (Vipera latastei)
Ocupa preferencialmente as encostas com boa insolação voltadas a Sul, em zonas rochosas e com matos. No
parque é abundante.
A Ocupação Humana do PNPG
No fundo dos vales, o espaço agrícola retalhado, ora verdejante, ora acastanhado, reflecte o ritmo das culturas ao
longo do ano; subindo as encostas, surgem as bouças e matos que asseguram a lenha, bem como o pasto e o
material para a cama do gado; nas zonas mais altas encontram-se as grandes extensões destinadas ao pastoreio
extensivo. Os núcleos populacionais surgem associados às áreas mais aplanadas, com boa exposição solar e
próximos das linhas de água. Para além disso, as construções erguem-se sobre os afloramentos rochosos,
libertando os solos mais férteis para a atividade agrícola. O enriquecimento da paisagem com formas construtivas
estendeu-se através dos muros, levadas, calçadas, pontões, espigueiros, fojos, moinhos, abrigos de pastor ou
alminhas… Hoje, somam-se à paisagem milenar grandes planos de água das albufeiras ou elementos lineares
como novas estradas; uma vez mais, a paisagem constrói-se, não só através da ocorrência de fenómenos naturais,
mas também da forma como o homem a transforma e continuará a transformar.
A História e o PNPG
O Homem da pré-história já percorria as serras e os planaltos deste território. A sua presença é testemunhada pelos
seus monumentos fúnebres, como os das necrópoles megalíticas de Castro Laboreiro, Mourela, Mezio e Serra

Amarela, e pela sua arte, caso das gravuras rupestres da Bouça do Colado (Parada-Lindoso) ou da célebre estátua-
menir da Ermida, encontrada na parede de uma corte nesta povoação do concelho de Ponte da Barca. A Idade do

Ferro está representada por vários castros, dos quais se destacam os da Calcedónia, Outeiro, Parada, Ermida e
Tourém. A romanização, a partir de 138 a.c., é-nos recordada por vestígios vários, o mais relevante dos quais é
certamente a Geira (Via romana). Merece também destaque a Pedra dos namorados, O mosteiro de Santa Maria
das Júnias, com um enquadramento paisagístico único, os castelos do Lindoso e Castro Laboreiro, os pelourinhos
do Soajo e Castro Laboreiro são alguns dos monumentos da época medieval, que podemos ainda visitar. Têm
também grande interesse histórico os povoados medievais abandonados da Pomba, na Gavieira, e S. Vicente do
Gerês, na Mata do Beredo.
 A Geira (Via romana)
A Geira, como é conhecida a via n.o 18 do Itinerarvn Antonini, é uma estrada militar construída presumivelmente no
último terço do séc. I d.C., ligando Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga). Um dos seus troços
melhor conservados situa-se no interior do PNPG, entre Campo do Gerês e a Portela do Homem (milhas XIX a
XXXIV). Ao longo deste percurso são visíveis vestígios arqueológicos, tais como miliários (na sua grande parte
epigrafados), ruínas de pontes, mutatios (estações de muda) e mansions (locais de descanso, infelizmente cobertos
pelas águas da Albufeira de Vilarinho das Furnas durante a maior parte do ano).
As Principais Actividades Económicas no PNPG
A agro-pecuária era a atividade económica dominante em todo o território do Parque: uma agricultura de minifúndio
complementava-se com a criação de raças autóctones: a barrosã e cachena nos bovinos, a bravia nos caprinos e a
bordaleira nos ovinos. Hoje, os sectores secundário e terciário empregam cada vez mais gente e a agricultura já
não é a principal fonte de rendimento. Porém, a criação de gado mantém grande parte da sua importância
económica, assim como se mantêm presentes actividades tradicionais, como a apicultura e o fabrico de fumeiro.https://www.youtube.com/watch?v=8KOzLpU3rPE (Vídeo Promocional do Parque Transfronteiriço do Gerês-Xurés)

 

União de Freguesias de Montalegre e Padroso
Introdução (Introduction) – Foi, é e será a capital de Barroso.
Não é com certeza das freguesias mais antigas como atestam as confrontações antigas dos termos vizinhos; mas,
depois que o Bolonhês mandou erguer o Castelo – autêntica jóia da arquitectura militar medieval – mudou-lhe os
marcos e as cruzes e definiu-lhe num território de vinte quilómetros quadrados para sustento (pastoreio e
agricultura) dos cem povoadores iniciais. E assim, sem grandes convulsões, foi crescendo ao longo dos séculos,
por indústria e legítima ambição dos seus moradores. A vila é hoje uma pequena metrópole de vigoroso comércio,
de indústrias incipientes mas estáveis e objecto de procura turística invejável.
São já famosas as suas principais feiras (dos Santos, do Prémio, do Fumeiro, da Vitela), as festas concelhias do
Senhor da Piedade, o Festival do Cabrito e diversos outros eventos culturais como congressos de medicina, de
arqueologia, de etnologia, de folclore e Medicina Popular. Já que se fala em festas cumpre recordar que até ao
século dezanove a maior festa da vila foi a São Frutuoso, na sua humilde capelinha, a caminho do Larouco. Haverá
sempre quem faça críticas mas, esses, normalmente não fazem nada para não serem criticados…Como diz o nosso
povo: É sina de Portugal Comer bem e dizer mal. De relatar, como sítio com referências ao passado das épocas
clássicas, um importante achado recente de mais de novecentas moedas romanas.
Padroso: Como todas as freguesias da raia seca também Padroso sofreu as agruras das agressões castelhanas e
gozou com os benefícios ocasionais do contrabando. Foi uma das honras de Barroso.
Mas Padroso tem outras glórias para passar à posteridade. Desde logo o ter sido lugar propício para a emigração
clandestina – actos heróicos que salvaram da fome e da morte muitas famílias pobres do norte. E justo é recordar
agora o Padre Domingos de Donões que foi vilipendiado e condenado ao ostracismo, perdendo o sacerdócio e o
seu estatuto social, apenas por ter espírito cristão, caritativo e solidário. Quantos dos que o acusaram, foram mil
vezes piores que ele! Padroso e um tal Júlio, cabo da Guarda-fiscal aí colocado, foram o sítio azado e a mão da
justiça para “armar o laço” a um prepotente oficial que a agitação social, saída da “monarquia do Norte”, designara
administrador do concelho de Montalegre. Este, tenente do exército, dos lados de Viseu, chamado Aurélio Cruz,
trazia o povo aterrorizado, com ameaças, perseguições e multas incompreensíveis, com sovas e até com dias de
prisão! Certo dia, ao ouvido do Dr. Custódio Moura, o tenente revelou intenção de oferecer à sua criada um xaile de
veludo galego. Foi quanto bastou para o apanharem na esparrela. Como o cabo de Padroso lhe levantasse um auto
de notícia, ao apanhá-lo em flagrante com o xaile de contrabando, o governo de então decidiu exonerá-lo, por
indecente e má figura, despachando-o para setenta léguas de distância.
Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 32,1 km2
Densidade Populacional: 57 hab./Km2
População Actual: 1829
Orago: Nossa Senhora da Assunção (Montalegre) e São Martinho (Padroso).
Pontos Turísticos: Casa do Cerrado; Castelo; Sepulturas Antropomórficas (Santo Adrião); Igreja do Castelo; o
Carvalho da Forca; Fojo e Mata do Avelar; Piscina Coberta; Pista Automóvel; Forno; e, Igreja (Padroso).
Lugares da Freguesia (2): Montalegre e Padroso.
Morada/Endereço: União de Freguesias de Montalegre e Padroso.
Avenida D. Nuno Álvares Pereira – Apartado 27 5470-203 Montalegre.
Telefone: 00 351 276 512 831 ou 00 351 965 700 421
E-mail: geral@freguesiamontalegre.net
Website: www.freguesiamontalegre.net
Monumentos e Património (Monuments and Heritage)

 

 

O BARROSO, aqui tão perto ….
União de Freguesias de Meixedo e Padornelos
Introdução (Introduction) – Meixedo foi uma das honras de Barroso.
Por ser lugar honrado os reis não possuíam aí reguengos. Bem pelo contrário o seu termo (só de Meixêdo)
constituía “um couto coutado por padrões separados que coutou o Senhor Rei Afonso primeiro ao Hospital” (à
Ordem dos Hospitalários). Esta tinha sido fundada após a conquista de Jerusalém pelos Cruzados, em 1099. Por
ser a única dádiva à dita Ordem dos Hospitalários, em Barroso, a gente de Meixedo deve considerar-se muito
honrada. A Capela de São Sebastião é um dos poucos sinais vivos da enormíssima devoção a este Santo, depois
da peste de 1570, e, sobretudo, após o renascimento do Sebastianismo, com a morte de D. Sebastião, em 4 de
Agosto de 1578.
Pertence hoje à freguesia a povoação de Codessoso que antigamente pertenceu à freguesia da Chã. Nesta
povoação, em 1258, pagavam ao rei a oitava de todos os frutos excepto a herdade de cavaleiros e de Dona
Maiorina. E, pelo São Miguel, os de Codessoso (as mais antigas referências deste topónimo não autorizam outra
grafia) tinham de entregar simples espáduas com pão e, como todos os da Chã, iam ao apelido e davam a refeição
e a cevada ao mordomo do senhor Rei. Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que
servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho,
Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).
Padornelos: É a referência lógica à terra fria barrosã, desde os tempos de Camilo, muito antes de Ferreira de
Castro! Mas Padornelos goza de outras referências bem mais importantes (ou devia gozá-las)! Importa recordar que
lhe foi concedido um foral autêntico, por D. Sancho I e confirmado, a 5 de Outubro de 1266, por D. Afonso III. Foi
‘’conselho sobre si’’, isto é, gozava dos privilégios que aos grémios municipais se concediam: “Os homens de
Padornelos devem meter juíz e serviçal e mordomo e clérigo” E assim, por este documento que substituía o de
Sancho I, se conferia existência jurídica ao rudimentar concelho, com magistraturas próprias. Dessas glórias antigas
(foi depois uma das honras fronteiriças de Barroso) sobeja ainda o facto de ter direito a capitão residente para poder
arregimentar homens, dos 18 aos 60, para a defesa nacional, sempre que Portugal fosse acossado.

Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 35,8 km2
Densidade Populacional: 8,5 hab./Km2
População Actual: 305
Orago: Nossa Senhora da Natividade (Meixedo) e Santa Maria (Padornelos).
Pontos Turísticos: Calvário; Largo Central; Capela de São Sebastião (Meixedo); Miradouros – Portelo; e, Larouco;
Forno e Casa do Capitão (Padornelos).
Lugares da Freguesia (4): Meixedo, Codeçoso, Padornelos e Sendim.
Morada/Endereço: União de Freguesias de Meixedo e Padornelos.
Rua da Bouça n.o 5 5470-173 Meixedo – Montalegre.
Telefone: 00 351 962 418 358 ou 00 351 965 848 425
E-mail: jfmeixedo@gmail.com
Website: http://www.jfmeixedo.com
Monumentos e Património (Monuments and Heritage)

 

 

PADORNELOS

Freguesia de Gralhas
Introdução (Introduction) – Gralhas foi elevada à categoria de Vila após a concessão do respectivo
“foral”, pelo Rei D. Dinis.
É provável que daí proviessem os muito famosos e não menos ignorados, Gralhós – fidalgotes locais que não
passaram à história (porque, entre nós, sempre foi residual a história longe do trono), mas passaram à lenda.
Queremos acreditar que, na aba sul do Larouco nasceram para uma paixão agitada e periclitante um tal Fernão
Gralho e Maria Mantela, filha de Paio Mantela – antropotopónimo de povoação perto de Solveira.
Todo o fidalgo rural que se prezava tinha então a sua quinta na Ribeira. Não admira por isso que o jovem casal
fosse viver para a nobre cidade (então vila) de Chaves; nem que, a determinada altura, tivessem filhos! Os
renomados filhos de Maria Mantela!…E o resto da lenda fica para outra ocasião…
Em Gralhas nasceu o primeiro seminário da diocese de Vila Real. Um ex-aluno do dito escreveu a outro uma
longuíssima carta cheiinha de saudades e de recordações, desde o Rio de Janeiro: Aqui Rio de Janeiro, Trago
sempre na lembrança Feliz terra do dinheiro Nossos dias de criança Tão falada em Portugal; E os caros tempos de
Gralhas; Paraíso terreal E as primeiras batalhas Além dos mares sem fundo Contra o azar e os maus fados Nas
terras do Novo Mundo; Em que fomos derrotados…
Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 20,8 km2
Densidade Populacional: 10,9 hab./Km2
População Actual: 227
Orago: Santa Maria da Assunção.
Pontos Turísticos: Igreja Matriz; Capela de Santa Rufina; Edifícios da Antiga Casa do Povo, da Escola Primária e
da Residência Paroquial; Fonte Fria; Fonte do Bárrio; Forno do Povo; Moinhos de Água; diversos Cruzeiros
Seculares; Casa do Seminário; A Ciada e Castelo do Romão.

 

Lugares da Freguesia (1): Gralhas.
Morada/Endereço: Junta de Freguesia de Gralhas.
Rua Central, n.o 104 5470-160 Gralhas – Montalegre.
Telefone: 00 531 915 217 607 ou 00 351 276 535 286
E-mail: geral@jf-gralhas.pt
Website: https://jf-gralhas.pt/noticias/ ou http://aldeiadegralhas.blogspot.pt
Monumentos e Património (Monuments and Heritage)

 

Freguesia de Santo André
Introdução (Introduction) – Santo André foi separada de Vilar de Perdizes, a que pertencia.
Ao conseguirem as suas autonomias escolheram os patronos que já antes admiravam e invocavam. Até há poucos
anos ainda se identificavam deste modo: Vilar de Perdizes (Santo André) e Vilar de Perdizes (São Miguel). É terra
bastante fértil, com alguma fruta. Julgamos que vamos dar notícia importante à gente de Santo André. Com efeito o
Rei D. José manda passar certidão, à petição por escrito, que fora feita em 9/11/1733, de brasão de armas de
nobreza a “Mateus Francisco Padrão, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, capitão de granadeiros no 1.o
Batalhão do Regimento de Guarnição da Praça de Elvas onde é morador, dizendo nela que ele suplicante é filho
legítimo de António Francisco e de sua mulher Jerónima da Encarnação. Neto pela parte paterna de Afonso
Francisco de Sirgo natural da honra e julgado de Santo André, freguesia de S. Miguel o Anjo do lugar de Perdizes, e
de sua mulher Inês Padroa, filha de Diogo Padrão naturais da mesma honra. E pela materna, que é neto de
Alexandre Gonçalves e de sua mulher primeira Maria Vaz, naturais da honra de Gralhas onde ele foi vereador e juiz
ordinário, tudo na comarca de Chaves e ele suplicante natural desta cidade de Lisboa. Os quais ditos seus pais,
avós e mais antepassados que foram todos muito nobres e por tais conhecidos e respeitados… sem que algum
deles houvesse labéu de judeu ou mouro, nem outro sangue infecto que pudesse pôr nódoa na sua fidalguia, nem
havia fama ou rumor em contrário…”
A sentença de justificações foi proferida a 9/6/1756. E a decisão: ”… busquei os livros dos registos das armas da
nobreza e fidalguia deste reino que em meu poder então e nelas achei os que pertencem à nobre e antiga linhagem
de padrão na forma que lhas dou iluminadas com as mesmas figuras, cores e metais nesta carta segundo as regras
do nobre oficio da armaria. A saber: Um escudo com as Armas dos Padrões que sai em campo azul um Padrão ou
coluna de prata levantada sobre um monte de sua cor e sobre a coluna um escudo do mesmo metal carregado de
uma Cruz da Ordem de Cristo entre duas estrelas de ouro. Elmo de prata aberto guarnecido de ouro. Paquife dos
metais e cores das Armas e por diferença uma brica de prata com uma faixa vermelha… Lisboa aos nove dias do
mês de Maio do ano do N. S. J. Cristo de 1760.” Os vários entendidos na heráldica asseveram que “esta família tem
as mesmas armas que os Cãos pelo que se presume que descendem de Diogo Cão a quem elas foram dadas.” O
próprio Braamcamp Freire afirma: “As armas do apelido Cão”!
Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 19 km2
Densidade Populacional: 11,2 hab/km2
População Actual: 212
Orago: Santo André.
Pontos Turísticos: Forno; Cruzeiro; Capela; A Cidade de Grou.
Lugares da Freguesia (1): Santo André.
Morada/Endereço: Junta de Freguesia de Santo André.
Rua do Fundo do Povo, s/n 5470-450 Santo André – Montalegre.
Telefone: 00 351 960 133 912
Website: www.freguesia-santoandre.com
Monumentos e Património (Monuments and Heritage)
 Forno do Povo
Os fornos comunitários foram essenciais na subsistência dos povos do barroso.
A massa era preparada em cada agregado familiar e depois levada para o forno da aldeia para terminar o ciclo do
centeio em apetecíveis broas.
Este é um exemplo típico dos fornos comunitários desta Região de Trás-os-Montes.

 

 

Freguesia de Solveira
Introdução (Introduction) – É a mais recente freguesia do concelho de Montalegre.
O topónimo é muito antigo: provém do étimo sorbu + aria – sorbaria, planta semelhante ao buxo muito utilizada em
obras de marcenaria. Como tal, já se vê que o território desta freguesia foi habitado há muitos séculos. Aliás, a
toponímia circundante certifica-o. Primeiro o sítio das Antas, que nos levam até à pré-história; depois o próprio
assentamento da povoação no Outeiro – altarium; depois o castro do Soutelo, a Cidadonha e finalmente Paio
Mantela, uns e outros tradicionalmente considerados locais habitados. Solveira ao fazer parte da honra de Vilar de
Perdizes estava abrigada a mandar homens à guarda do Castelo da Piconha, pelo menos até ao reinado de D.
João I, mas há quem pense que a obrigação durou até à Restauração.
Entre 1841 e 1853 pertenceu ao concelho de Ervededo que foi couto criado por D. Afonso Henriques para o seu
amigo Arcebispo D. Paio Mendes, em 1132, tal como fizera ao Couto de Dornelas.
Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 12,3 km2
Densidade Populacional: 12,6 hab/km2
População Actual: 155
Orago: Santa Eufémia.
Pontos Turísticos: Igreja; Castros; vestígios de povoados medievais.
Lugares da Freguesia (1): Solveira.
Morada/Endereço: Junta de Freguesia de Solveira.
Rua do Outeiro n.o 4 5470-480 Solveira – Montalegre.
Telefone: 00 351 962 947 835 ou 00 351 276 535 307
E-mail: j.f.solveira@gmail.com
Website: http://www.solveira.pt/ ou http://solveira.pt/portal/
Monumentos e Património (Monuments and Heritage)

SOLVEIRA (Forno do Povo)

A Torre Sineira é, em conjunto com o Forno Comunitário desta aldeia, um símbolo do comunitarismo que
caracteriza as gentes da região.
Também denominada de Torre do Povo consiste numa coluna construída em peças de granito, criteriosamente
assentes, na qual existia uma “sineta” que era utilizada para juntar o povo ou para divulgar avisos quotidianos,
como a saída da vezeira para os pastos.
A Torre encontrava-se originalmente num pátio de uma casa.
Recentemente, a Junta de Freguesia decidiu trazê-la para o meio da aldeia, proporcionando a todos o contacto com
este símbolo comunitário.

 

União de Freguesias de Vilar de Perdizes e Meixide
Introdução (Introduction) – Vilar de Perdizes: é das mais cosmopolitas freguesias do concelho de
Montalegre.
Outra zona barrosã testificadamente habitada desde remotas eras, como se prova numa inventariação sumária dos
seus monumentos: as inscrições pré-históricas de Caparinhos (gravuras rupestres de controvérsia leitura); o altar
sacrificial da Pena Escrita; as duas aras romanas achadas na abertura da estrada para Meixide e Chaves, uma
dedicada ao Deus dos Deuses, Júpiter, e outra dedicada ao Deus local, Larouco; e a grande inscrição do Penedo
de Rameseiros cuja interpretação não consegue recolher consensos. Tal riqueza arqueológica e tão diversificada
não é usual em meios pequenos. Mas a riqueza continua no que sabemos da sua igreja de São Miguel e no Solar,
que foi berço de filhos de algo, e junto do qual floresceram o Hospital e a Capela de Santa Cruz, destinados a
prestar apoio físico e espiritual aos peregrinos de Santiago de Compostela e do Cristo de Ourense que por ali
passavam, vindos dos lados de Chaves Alto Douro, Beiras e Castela.
Desta freguesia desligaram-se as duas vizinhas de Solveira (Santa Eufémia) e Santo André e todas pertenceram,
por poucos anos, até à sua extinção, ao concelho de Couto de Ervededo.
Modernamente, Vilar de Perdizes entra na moda das notícias televisivas por apadrinhar um evento sócio-cultural
que é o “Congresso de Medicina Popular”. Admira que alguns, ditos intelectuais, lancem farpas ao dito como se
estivéssemos ainda no século VI, do São Martinho de Dume, a combater pagãos e as heresias dos maniqueístas e
arianos… Recusamo-nos a que nos lancem o anátema de pagãos e hereges pelo facto de querermos alcançar,
enquanto é tempo, os saberes (no campo da farmacologia, da medicina e das tradições) dos nossos avós!
Esperemos que a gente de Vilar continue a acarinhar as ervas com que se fazem mezinhas, defumatórios, infusões
e chás que nos debelam as dores do corpo e nos dulcificam as dores do espírito! Estão em fase de conclusão os
roteiros arqueológico e do contrabando, que a pé e a cavalo de burros irão permitir a visita aos locais que melhor
defendem a identidade de Vilar de Perdizes.
Meixide: Pequena freguesia a nascente do concelho, na cota dos novecentos metros de altitude, domina os
outeiros da raia seca com a Galiza na encosta sul do Larouco. Em inexorável agonia, mas preserva ainda uma
velha jóia: a capelinha da Nossa Senhora da Azinheira que já foi uma das sete senhoras do planalto Barrosão. Até
que um dia se possa esclarecer todo o passo histórico, Meixide vai gozando a fama de ter sido berço do herói Diogo
Peres, (da “Escaramuça dos Nus”)…o tal que derretendo aos calores do deserto marroquino, foi refrescar-se na
ribeira com alguns mais cavaleiros. Surpreendidos por um troço do exército mouro, tomam as espadas e adargas,
montam completamente nus os seus cavalos, mas bem vestidos de indomável valentia desbaratam e põem em fuga
a cavalaria moura. Uma façanha limpinha protagonizada à moda barrosã.
Principais Indicadores e Dados (Main Indicators and Data)
Área: 37,1 km2
Densidade Populacional: 14,3 hab./Km2
População Actual: 532
Orago: S. Miguel (Vilar de Perdizes) e Santa Maria (Meixide).
Pontos Turísticos: Paço; Gravuras Rupestres – Penedo de Caparinhos; Altar de Penascrita; Capela da Senhora
das Neves; Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes); e, Capela de N. Sra. da Azinheira (Meixide).
Lugares da Freguesia (2): Vilar de Perdizes e Meixide.
Morada/Endereço: União de Freguesias de Vilar de Perdizes e Meixide.
Avenida da Igreja n.o 2 5470-461 Vilar de Perdizes – Montalegre.
Telefone: 00 351 968 548 349 ou 00 351 276 536 396
E-mail: vilardeperdizesemeixide@hotmail.com
Website: https://www.youtube.com/watch?v=5ZRC5TpNlEY

 

O Congresso da Medicina Porpular
A aldeia de Vilar de Perdizes acolhe todos os anos, em finais do mês de Agosto e o início do mês de Setembro o
Congresso de Medicina Popular, que lança o debate sobre o oculto e é impulsionado pelo Padre Fontes, com o
patrocínio da Câmara Municipal de Montalegre.
O “Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes”, lançado em 1983 pelo Padre António Lourenço
Fontes, tem como objetivo “reforçar o valor da medicina popular e o poder das plantas para combater doenças”.
Ao mesmo tempo, segundo sublinhou o Município, o evento transformou-se numa “oportunidade de negócio para a
hotelaria, restauração, comércio e uma atração turística” deste territ\orio do distrito de Vila Real.
Vilar de Perdizes, quer ser uma plataforma de “medicina integral”, ou seja, de tudo aquilo que faz bem à saúde
física e mental. Saúde, que não depende apenas da farmácia, mas pode encontrar soluções nas plantas, na
acupuntura, na osteopatia ou, nas massagens.
O congresso continua a estar de portas abertas a todos, desde cientistas e investigadores, curandeiros, bruxos,
videntes, médiuns, astrólogos, tarólogos, massagistas, a muitos curiosos e ainda a inúmeros turistas.
Em Vilar de Perdizes misturam-se investigadores e especialistas de medicinas alternativas e, nas diversas edições,
debateram-se temas que vão desde a “História da Medicina Popular”, “As Urtigas na Gastronomia”, “Ler Sem Medo
o Livro de São Cipriano”, “As Elites Mecânicas: Barbeiros e Sangradores”, “Encosto dos Espíritos. Exorcismo” e
“Minas e Mineiros em Barroso”.
Já, no que diz respeito à 32.a edição do Congresso de Medicina Popular ocorrerá em 2018, entre os dias 31 de
Agosto e 02 de Setembro e onde se abordarão as temáticas da “Magia do Sorriso”, do “Drama e Catarse na Saúde
Popular”, do papel do “Linho no Sagrado e no Profano”, de “Magia e Magos Galegos” e ainda, das “Crendices e
Educação na Medicina Popular”.
De destacar ainda, que o programa deste evento contempla também, uma subida à Serra do Larouco, uma missa
em homenagem aos congressistas já falecidos e uma “rota pela aldeia”, que tem como principal animador e guia, o
Padre António Lourenço Fontes.
O Património Botânico-Medicinal da Serra do Larouco
Finalmente, não se pode terminar a “Rota da Medicina Popular” sem realcar a riquíssima e diversificada flora do
Larouco, que alberga espécies botânicas do maior interesse e que tem sido objecto de acesa discussão, nos várias
edicões do Congresso de Medicina Popular, entretanto organizadas na região do Barroso, com particular realce,
para os realizados anualmente no início do mês de Setembro, em Vilar de Perdizes.
Aí se têm recomendado para o «tratamento» de diversas doenças, designadamente:
 os chás de Alecrim, para o combate à asma, falta de apetite, gota, amigdalites e obstrução nasal;
 os chás de Barba de Milho, para as inflamações e infecções da bexiga;
 os chás da Flôr de Carqueja, para a tensão arterial alta, pedra nos rins, tosse, diabetes, rouquidão e
bronquite;
 os chás da Erva Cidreira, para os nervos, dores de cabeça e cólicas;
 os chás do Fel da Terra, para os diabetes;
 os chás das Folhas de Freixo, para o ácido úrico, colesterol, má circulação e reumatismo;
 os chás da Flôr da Giesta-Branca, para os diabetes altos, ureia e Infecções da bexiga;
 os chás das Malvas, para as inflamações da pele e mucosas, infecções e irritações de todo o tipo;
 os chás da Tília, para o coração, sistema nervoso e insónias;
 os chás da Flôr da Urze, para a próstata, bexiga e rins;
 os chás da Uva-do-Monte, para o colesterol «sangue gordo», triglicéridos, diabetes e inflamação da bexiga;
entre tantos outras plantas, que povoam as Terras de Barroso.

 

Nota Final
O escritório do Padre António Lourenço Fontes é, o afamado Restaurante “Cabaço” situado na aldeia de Vilar de
Perdizes e propriedade da D.ɑ Ana Alves Martins, onde a cabidela tem de ser pedida de véspera para dar tempo à
proprietária para matar uma das galinhas ou, onde o cozido à barrosã aguarda pelo Inverno, para ser servido
porque só nessa altura os seus porcos, de onde vêm os enchidos, estão prontos para a matança.
É neste e moutros restaurantes da aldeia, que todas as “Sextas-feiras 13”, o Padre Fontes mobilizou os seus
proprietàrios para mudaram nesse dia as suas ementas servindo pratos, como “caldo de ortigas malditas
colhidas nas bordas do paraíso” ou “vitela embruxada”. E, ao mesmo tempo há música e teatro e o evento
tornou-se em mais uma verdadeira atracção de Vilar de Perdizes.
https://www.youtube.com/watch?v=66v4yuJgtqo (Vídeo Institucional, do Padre António Lourenco Fontes)

 

adirba – Associação para o Desenvolvimento Integrado da Região do Barroso