Mercado pode regressar à Praça 2 de Maio

altEstá a trabalhar-se para que uma parte do actual mercado 21 de Agosto seja transferida para a Praça 2 de Maio, de onde saíra. O regresso está a ser ansiosamente esperado, mas os comerciantes terão de compreender que isso não poderá acontecer, amanhã. De qualquer modo, alguns já rejubilam com a ideia, que não é fácil mas possível, caso os interesses se fundam. E parece que a corrente engrossa cada vez mais, com os vendedores a apostarem fortemente na ideia. Com o objectivo de colocar as coisas no seu verdadeiro lugar, o nosso jornal questionou o presidente da Câmara Municipal sobre o assunto, uma vez que a mudança, a concretizar-se, não seria apenas benéfica para os comerciantes, mas também para a cidade, animando uma zona que está ‘moribunda’.

A proposta Gualter Mirandês, presidente da Associação Comercial de Viseu, gerou, no imediato, uma onda de grande entusiasmo entre a maioria dos comerciantes do Mercado Municipal, renascendo a esperança do regresso ao velho mercado. Ninguém se esqueceu dos tempos em os negócios eram feitos no centro da cidade. No entanto, deverão estar também conscientes de que foram muitos comerciantes das ruas Formosas e do Comércio os primeiros a embirrarem com o mercado na Praça 2 de Maio.

Estorvava, sujava e complicava o trânsito... Agora o problema é outro e já ninguém se importa com a possibilidade do regresso porque é preciso dar vida ao centro. Nascimento de uma nova alma Para muitos seria o ‘nascimento’ de uma nova alma voltar ao seu ‘cantinho’. A emoção, por vezes, embarga a voz e ultrapassa tudo que possa imaginar-se, podendo ver-se em todos um brilho diferente no olhar, antes mortiço… Alguns vão ao ponto de dizer que ‘choram’ sempre que passam em frente do antigo mercado. Por ‘mim mudava já’, dizem os comerciantes, descontentes com a actual situação. A mudança imporá restrições.

A verificar-se seria apenas uma parte, excluindo, por exemplo, a venda do peixe e os talhos. O estacionamento poderá ser uma das condicionantes. Mas fazer uma experiência, ‘talvez não se perca nada’. No entanto, terão de ser os responsáveis, sobretudo o presidente da autarquia, a decidir uma questão que não parece fácil, embora, hoje, todos admitam que seria benéfica. Vejamos, pois, como a Câmara Municipal encara o problema trazido à ribalta pelo presidente da Associação Comercial, Gualter Mirandez. Na sequência da questão colocada a Fernando Ruas, o nosso jornal ficou em condições de poder afirmar que não lhe ‘repugna’ a ideia da mudança.

No entanto, as coisas não são assim tão líquidas. ‘As pessoas põem a correr aquilo que entendem. A Câmara está disponível para estudar a situação por razões que se prendem com alguma coerência’, adiantou o autarca, que não foi apologista da mudança do mercado para o espaço actual, o mesmo se podendo dizer em relação à sua permanência no 2 de Maio. Apanhou o processo já na sua fase final e agora está a estudar ‘a melhor altura para se poder pensar noutra coisa. Não é possível agarrar em tudo e fazer a transferência’. Aliás, a ‘proposta é a de que passe alguma parte do actual mercado – frescos e legumes – para o 2 de Maio. Estamos a estudar essa possibilidade.

Se encaixar com os interesses de todos tomaremos uma decisão nesse sentido. Mas será sempre acompanhada com a conciliação das obras necessárias no 21 de Agosto’. ‘Não quero perder a assinatura Aceitando a eventual mudança, ‘sem atabalhoamentos’, que terá de funcionar quando se tomar a decisão, ‘eu não quero perder a assinatura do arquitecto Siza Vieira, numa altura em que toda a gente fala dele e nos mais diversos países é condecorado, pese, embora, todas as críticas que tem havido.

Reconheço que a obra ficou aquém daquilo que esperávamos, mas era uma pena perder o vínculo com quem a concebeu’. Sobre as linhas que gostaria de ver implementadas no ‘novo’ projecto do mercado 21 de Agosto, Fernando Ruas salientou as acessibilidades. Para o efeito, são imprescindíveis ‘três possíveis pontos de acesso: Av. António José de Almeida, Av. Alberto Sampaio e talvez o mais marcante e visível do lado da rua 21 de Agosto’. Fernando Ruas perspectiva que tudo o que fique ao nível da Av. António José de Almeida e da Alberto Sampaio seja para fazer uma grande praça; a zona inferior será destinada a aparcamento e em cima serão feitas as lojinhas possíveis.

‘Estas são as linhas mestras e é isto que vou passar aos projectistas’, adiantou. Ou seja, o ‘novo’ mercado 21 de Agosto terá ‘uma praceta pedonal, onde as pessoas possam andar à vontade e os tais lugares de estacionamento. Neste momento, o grande problema é arranjar o financiamento. Mas tudo iremos fazer para regenerar uma parte da cidade bastante carecida’.

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